O eleitor quer mais poder de compra – IREE

Análises e Editorial

O eleitor quer mais poder de compra

15 de julho de 2026

O custo de vida tem ocupado o centro do debate em democracias ao redor do mundo e deve ser um dos principais temas das eleições no Brasil em 2026. Os indicadores do país mostram uma economia mais forte, mas a percepção da população segue marcada pelo aumento das despesas do dia a dia. É esse contraste que deve alimentar o debate sobre o poder de compra em 2026.

Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada no dia 10 de junho, 67% dos brasileiros afirmam que hoje têm menos poder de compra do que há um ano. Além disso, 69% dizem que os preços dos alimentos aumentaram no último mês, enquanto 44% avaliam que a economia piorou no mesmo período.

A percepção negativa convive com uma melhora dos principais indicadores macroeconômicos. Dados da PNAD Contínua (IBGE) mostram que a taxa de desemprego chegou a 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor índice para o período desde o início da série histórica. A população ocupada atingiu 102,7 milhões de pessoas e o rendimento médio real do trabalhador alcançou R$ 3.726, dois recordes.

A inflação, porém, continua sendo um ponto de atenção. O IPCA acumulado em 12 meses até junho de 2026 foi de 4,64%, acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central.

Um fator importante para entender a sensação de pressão sobre o orçamento é o elevado nível de endividamento das famílias. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, 81,6% das famílias brasileiras estavam endividadas em junho de 2026, o maior patamar da série histórica. Do total, 29,9% tinham contas em atraso e 12,2% afirmavam não ter condições de pagar suas dívidas atrasadas.

O quadro se soma a um problema estrutural da economia brasileira: a desigualdade de renda. Como exemplo dos limites orçamentários enfrentados pela maioria dos brasileiros, o Dieese estima que, em junho de 2026, uma família de quatro pessoas precisaria de R$ 8.110,92 por mês para cobrir despesas básicas, cerca de cinco vezes o salário mínimo vigente, de R$ 1.621,00.

Esse cenário coloca o poder de compra entre os temas relevantes do debate eleitoral. A expectativa dos eleitores será por medidas que reduzam o peso das despesas no orçamento e ampliem a capacidade de consumo das famílias. Nesse contexto, devem ganhar espaço propostas voltadas ao controle da inflação, à redução do endividamento e à melhoria da renda.

Este é o sétimo material da nossa série especial sobre os temas que devem marcar as eleições de 2026. Siga acompanhando!



Por IREE

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