Fala personalista de Trump ao Congresso repete discurso de campanha – IREE

Análises e Editorial

Fala personalista de Trump ao Congresso repete discurso de campanha

5 de março de 2025

Por Samantha Maia e Juliana Pithon

Apesar de não trazer grandes novidades, o discurso do Presidente dos EUA, Donald Trump, ao Congresso na última terça, 4 de março, chamou atenção pela longa duração e pelo forte personalismo, sem apelos à unidade política. Em sua primeira fala aos congressistas em seu segundo mandato, Trump repetiu promessas de campanha e pouco esclareceu sobre sua agenda política e prioridades legislativas.

Sob o protesto de democratas, Trump voltou a defender as tarifas sobre importações, o combate à imigração e o trabalho de Elon Musk no governo, além de citar questões como a “guerra cultural” para atacar políticas de diversidade.

A fala gerou reações de líderes de países como o Panamá e a Groenlândia, ameaçados de interferência por Trump, e retaliação de China, Canadá e México em relação às tarifas. O governo brasileiro acompanha o assunto de olho tanto no risco do país também ter produtos taxados, quanto na oportunidade de aumento de mercado com outros países.

 Confira a seguir os destaques do discurso.

“Carta importante de Zelensky”

Trump disse ter recebido mensagem do Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, expressando disposição para negociar uma “paz duradoura” sob a liderança do republicano, mas nenhum acordo foi anunciado. O recuo de Zelensky se deu depois das desavenças públicas dos presidentes no Salão Oval da Casa Branca e do anúncio de suspensão da ajuda militar dos EUA à Ucrânia.

“Precisamos da Groenlândia para a segurança global e vamos obtê-la de um jeito ou de outro”

Trump reafirmou a promessa de retomar o Canal do Panamá e de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. A afirmação gerou reação dos países.

Segundo o Presidente panamenho, José Raúl Mulino, o tema não está sendo tratado: “O presidente Trump mente novamente”. Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, defendeu a independência do país: “Não estamos à venda e não podemos simplesmente ser tomados”.

“Outros países usaram tarifas contra nós por décadas, é a nossa vez de usá-las contra esses países”  

Trump defendeu a política tarifária que começou a ser aplicada no dia 4 de março – de 25% sobre as importações do México e do Canadá e 10% sobre a China – minimizando seus impactos econômicos. Também citou o Brasil entre os países que cobram tarifas “extremamente injustas” dos EUA e prometeu a entrada em vigor de novas taxas a partir do dia 2 de abril.

“Ele está trabalhando muito duro. Ele não precisava disso”

Trump conferiu destaque a Elon Musk, agradecendo pelo trabalho no Departamento de Eficiência Governamental, com a demissão de servidores públicos e cortes em programas de ajuda externa. Críticos apontam que, sob o argumento de economia de gastos, Musk tem desmantelado agências governamentais e obtido acesso a dados confidenciais do governo.

“Ouviram as minhas palavras e decidiram não vir”

Trump comemorou a queda da entrada de imigrantes ilegais nos EUA neste começo de ano e elogiou o trabalho de sua equipe. No entanto, disse ainda estar insatisfeito com o ritmo das deportações, e prometeu intensificá-las.

O líder ainda prestou homenagens a duas vítimas de crimes cometidos por imigrantes, com a intenção de relacionar a migração à violência e à criminalidade.

“Herdamos, da última administração, uma catástrofe econômica e um pesadelo de inflação”

Trump citou o ex-presidente Joe Biden em diversos momentos do discurso, atribuindo à sua gestão a responsabilidade por problemas econômicos do país, entre eles, a recente alta do preço dos ovos, resultado do abate de aves durante o surto de gripe aviária. Disse que seu governo está trabalhando para reduzir a inflação, apesar do risco inflacionário de medidas já anunciadas.



Por Samantha Maia

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