O declínio da popularidade do presidente – IREE

IREE - Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa

Colunistas

O declínio da popularidade do presidente

Carolina de Paula

Carolina de Paula
Cientista Política



As últimas pesquisas de opinião, de diferentes institutos, revelam a consolidação da queda de popularidade do presidente Bolsonaro. A mais recente delas, realizada pelo XP/IPESPE, foi a campo entre os dias 29 e 31 de março e mostrou o crescimento de 3% da avaliação negativa desde a última sondagem.

Saltou de 45% para 48% os entrevistados que consideram o governo Bolsonaro “ruim/péssimo”. Os números são os piores desde o momento mais crítico da pandemia, entre maio e julho do ano passado, quando as avaliações negativas chegaram a bater 50% (dados do XP/IPESPE).

É possível afirmar que a situação do presidente é muito mais complicada que outrora. O país representa hoje o epicentro mundial da pandemia do novo coronavírus, e atingimos essa semana a triste marca diária de 4 mil vidas perdidas. As mortes já superam o número de nascimentos no Sudeste.

O programa de imunização nacional sofre com a falta de insumos, e logo, de produção das vacinas da nossa principal fonte, a Coronavac. A compra de vacinas da norte-americana Pfizer corre sério risco de cancelamento devido à quebra de uma cláusula de confidencialidade, pelo Ministério da Saúde, que expôs em seu site o contrato com a farmacêutica. Mais uma trapalhada para a conta da atual Esplanada.

A entrada do ex-presidente Lula no cenário eleitoral, após ter suas condenações anuladas pelo STF, mexe com os números das sondagens que visam mensurar o humor do eleitorado para pleito de 2022. Lula cresceu 5% desde a última pesquisa XP/IPESPE e já supera Bolsonaro na pergunta estimulada sobre intenção de voto, ainda que dentro da margem de erro. O petista aparece com 29% das intenções de voto no primeiro turno, e o atual presidente com 28%. Lula também venceria Bolsonaro no segundo turno, marcando 42% contra 38% (os demais 20% não sabem ou não responderam).

A esperança do Planalto – fazendo o paralelo com o ano passado – poderia estar ancorada na liberação do novo auxílio emergencial, que começou a chegar na conta dos brasileiros na semana do dia 6 de abril. Porém, nada mais ilusório.

Afora a brutal diferença de valores, em 2020 o valor médio do auxílio foi de 600 reais e agora é de 250 reais, o cidadão sabe agora que o auxílio é temporário. Ou seja, uma eventual recuperação da popularidade fundamentada nesses termos será extremamente frágil.

Os dados das pesquisas de opinião sobre os rumos da economia também são majoritariamente negativos, 65% dos entrevistados consideram que o país está no caminho errado.

Caso a economia dê sinais de recuperação e magicamente o ritmo da vacinação comece a acelerar, a retomada da popularidade do presidente pode até acontecer às vésperas do pleito de 2022. Com o cenário atual de ingerência da crise sanitária e as pesquisas, que são sempre um retrato momentâneo, nada parece mais distante.



Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.

Carolina de Paula

É doutora em Ciência Política pelo IESP/UERJ, Diretora Executiva do DataIESP e consultora da UNESCO. Coordenou o "Iesp nas Eleições", plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em diversas campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Escreve mensalmente para o IREE.

Leia também