6 de abril de 2026
E o Facchin, hein? A Lava Jato deve ter lhe lavado um tanto das ideias. O homem resolveu que juízes têm que ser populares, têm que agradar ao povo, à imprensa, ao Congresso, ao papai e à mamãe. E, para isso, inventou um revolucionário código de ética. Revolucionário pois diz o óbvio, e se mete em searas que são do escopo pessoal de cada um. O Supremo, como o nome diz, é supremo. Quem julgaria a aplicação do código? A Globo?
-Apontem agora seus celulares para o QR code que aparece em suas telas, e votem: o juiz Policarpo deve ou não julgar o caso em que a vizinha de seu tio Juvenal talvez conheça o namorado da acusada?
O ponto é: se o juiz, no uso de suas prerrogativas constitucionais, se recusar a obedecer, quem o obriga a cumprir? Ou o bom Facchin vai se aliar de novo à extrema direita, desta vez para obrar por expulsão de ministros?
Obrar? Disse-o bem.
Falando em obrar, parece que o pequeno banana anda batalhando para que os EUA interfiram no nosso PIX. Essa invenção demoníaca fez com que as grandes companhias de crédito americanas deixassem de ganhar alguns bilhões – o que significa que NÓS deixamos de pagar esses bilhões. Foi talvez a única coisa boa do Governo Temer – apesar dos bolsominions quererem passar para o colo do Bozo – que sequer sabia do que se tratava… Ele e seu irmão candidato também lutam para que nós cedamos aos nossos irmãos americanos nossas terras raras. Além disso, querem que nossas facções criminosas sejam consideradas terroristas, mode Trump tomar atitudes contra nós.
Se continuarem assim, Trump vai expulsá-los. Estão fazendo mais pelos EUA que o querido laranjão. Acabam sendo eleitos por lá.
Os assuntos são tantos que a gente se complica para concatenar tudo. Powerpoint, por exemplo. Antigamente havia a chatíssima projeção de slides. As coisas se modernizaram, agora exibimos powerpoints. A mesma coisa, com a diferença que antigamente quem os exibia tomava algum cuidado com o que era mostrado. Deltan Dallagnol rompeu este acordo de cavalheiros divulgando um em que Lula era cercado de flechas acusatórias, nenhuma verdadeira. Pois a Globonews resolveu, num momento de nostalgia, fazer algo semelhante. Produziu uma imagem onde Lula aparece na posição e mais destaque, como envolvido com Daniel Vorcaro. Estou começando a achar que a culpa é do Lula, ô sujeito para despertar instintos de falsificações!
Mas o mais bonito foi ouvir as desculpas, inclusive da excelente Sadi.
Uma vez me atrasei para uma aula e, ao entrar na sala, disse para o professor:
-Desculpe, me disseram que o senhor não tinha vindo.
Ele, com a calma dos sábios:
-Disseram? Sujeito indeterminado para fugir à responsabilidade!
Pois foi isso. Funcionários produziram aquilo, diretores aprovaram, a âncora não percebeu, nem os participantes do programa, ninguém teve culpa. Foi sempre um outro alguém. E a Globo, claro, se desculpou, inocente que é. Também não sabia de nada.
Um caso clássico de geração espontânea. O computador, por si só, criou a apresentação. A revolução das máquinas!
Um outro tema foi a CPI – ou CPMI, nunca sei qual é qual. Seja qual for, o objetivo é o mesmo: cortes para as redes.
-Então, neste relatório, não temos como provar que… (corte) LULINHA ROUBOU! MATOU! ESQUARTEJOU! CUSPIU NA CRUZ! (fim do corte). Nada existe contra ele.
Ainda no tema, a Daniela Lima levantou uma questão importante: o casal tem trajetórias profissionais distintas. Um chega ao Supremo, o outro tem uma banca de sucesso. Quando o bonitão entra no Supremo, ele MANDA a mulher largar tudo o que construiu nos últimos 30 anos?
-Ora, Ricardo, basta ele não julgar nada que venha do escritório da mulher.
Pois foi justamente isso que aconteceu!!!!!! O espertalhão contratou a sra Xandão por uma fortuna, e não há nenhuma decisão de Moraes sobre nada ligado à mulher.
Então, vamos votar seu impeachment. Justo.
Os temas são muitos, o espaço é curto, fui dar uma volta para arejar as ideias. Estava olhando filhotinhos no pet shop, imaginando um jeito de soltá-los, quando vi o bigode de Friedrich Nietzche, em seguida vendo o filósofo todo. Cumprimentei-o, sem muita efusividade que ele não gosta, e fiquei puxando conversa. Acabei perguntando se havia alguém que ele admirasse no nosso panorama atual.
Ele me olhou com um misto de pena e nojinho, mas resolveu responder. Foi sucinto:
-Tabata Amaral.
-HEIN???????
-Sempre me acusaram de ser amigo das contradições, coisa que refutei. Mas confesso que no fundo, gosto. Ora, essa moça tenta igualar judeus e nazistas! Tem que ter uma imaginação muito prodigiosa para achar que não gostar de nazistas é a mesma coisa que não gostar de alemães, ou não gostar de fascistas é não gostar de italianos.
-Imaginação prodigiosa?
-Prefiro pensar que sim…
Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.
Ricardo Dias
Tem formação de Violonista Clássico e é luthier há mais de 30 anos, além de ser escritor, compositor e músico. É moderador do maior fórum de violão clássico em língua portuguesa (violao.org), um dos maiores do mundo no tema e também autor do livro “Sérgio Abreu – uma biografia”.
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