O ciclo de alta da Selic, seus motivos e consequências – IREE

Análises e Editorial

O ciclo de alta da Selic, seus motivos e consequências

25 de junho de 2025

Por Samantha Maia

A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central, tomada em 18 de junho de 2025, de elevar a Selic a 15%, colocou a taxa de juros ao seu nível mais alto desde 2006. Depois de um ciclo de alta iniciado em setembro de 2024, o BC sinalizou a possibilidade de interromper por ora os aumentos, a fim de avaliar se o patamar atual já é suficiente para conter a inflação.

Não há, por enquanto, perspectiva para queda dos juros. A ata do Copom, divulgada no dia 24 de de junho, indica que a Selic deve permanecer elevada “por período bastante prolongado”, diante das expectativas de inflação acima da meta. Segundo a última pesquisa Focus, a previsão de inflação para 2025 está em 5,2% e para 2026, em 4,5%. O comitê também destaca que o ciclo de aperto monetário foi “particularmente rápido e bastante firme” e que seus os efeitos sobre a economia ainda devem ser observados.

Entre as justificativas apresentadas pelo Copom para o aumento mais recente da Selic, destacam-se: a persistência das expectativas de inflação acima da meta nos próximos anos, especialmente no setor de serviços, o impacto da desvalorização cambial, a resiliência da atividade econômica e do mercado de trabalho, o risco de alta do petróleo por conta do conflito no Oriente Médio e a necessidade de avanços nas reformas fiscais.

Por outro lado, alguns fatores podem contribuir para aliviar a pressão por juros altos. Entre eles estão sinais de desaceleração no crescimento da economia brasileira, a queda da inflação de curto prazo, com destaque para o setor de alimentos, a possibilidade de avanços nas discussões sobre o orçamento fiscal e cortes em gastos tributários, além de uma melhora no cenário internacional com a reversão de tarifas de importação dos Estados Unidos.

Também em 18 de junho, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, manteve pela quarta vez consecutiva as taxas de juros do país na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. Segundo o Fed, as incertezas em torno das perspectivas econômicas seguem elevadas, principalmente devido à  política tarifária do presidente Donald Trump. A decisão influencia a taxa de câmbio brasileira, já que o ciclo de juros americanos elevados atrai investidores e provoca a saída de dólares de economias emergentes, provocando a valorização do dólar sobre as outras moedas.

Impactos da Selic alta

A política monetária contracionista, ao mesmo tempo que busca reduzir a inflação, traz impactos negativos como o encarecimento do crédito e desestímulo ao investimento das empresas. Para a população, os efeitos incluem aumento do desemprego e queda no consumo. Já para o setor público, a consequência direta é o aumento da dívida da União, estados e municípios. Segundo cálculos do BC, uma elevação de 1 ponto percentual na Selic, mantida por 12 meses, pode representar um acréscimo de R$ 50 bilhões na dívida bruta.



Por Samantha Maia

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