3 de abril de 2025
Enfim, Bolsonaro confessou que não houve fraude. Do alto de sua argúcia, num podcast ele declarou, candidamente, que não ganhou a eleição por causa da Zambelli, e ainda disse alguns números demonstrativos do fato. Assunto encerrado, então. A eleição foi honesta, não perdeu por causa de fraude.
-Como, minha senhora, não é suficiente? Pois não:
Ele disse que imprimiu a minuta do golpe, só que apenas para ler. Como não prendeu nem denunciou ninguém, equivale ao “vou apertar, mas não vou acender agora”. Prevaricou.
Mas vejam como funciona a justiça: Mauro Cid fez delação premiada. Foi alertado que, se mentisse, teria as benesses retiradas.
Corte.
A PGR decidiu que não denunciará Bolsonaro pelo cartão de vacinação. Cid denunciou, mas não foi possível provar que Biroliro sabia do assunto.
Junção:
Não basta a denúncia no estado de direito. Tem que ser provada. TODO MUNDO sabe que el Cid não faria isso por conta própria, não é do militarismo ser proativo, mas não há provas. Palmas para o estado democrático de direito que ele merece!
Lula foi denunciado por Leo Pinheiro. Este estava condenado a um tempão, e não disse nada contra Lula. Mudou de ideia, e voilá! sua pena quase que desapareceu. Nada foi provado, mas Lula foi preso mesmo assim, pelas convicções de Moro. Leo Pinheiro não teve o acordo de delação desfeito.
Mas AGORA vivemos numa ditadura. Tá sertu.
Na minha infância, havia um programa meio incompreensível, psicodélico, chamado “Os Banana Splits”. Eram umas pessoas vestidas de cachorro e que apresentavam desenhos animados e séries igualmente incompreensíveis – pois eram transmitidos sem nenhuma ordem. Mas eles sempre tinham uma adivinhação – idiota – cujo resultado incluía a palavra “banana”, certamente por causa do nome do programa – onde, ademais, não havia nenhuma fruta. Eu lembro particularmente de uma:
-O que é amarelo com pintas pretas e voa a 3000 Km/h?
-É uma banana balística intercontinental.
Pois tive uma associação livre e fiz minha própria charada:
-O que é amarelão e foge a 1000 Km/h?
-É um bananinha golpista intercontinental.
Ok, desculpem.
Um escritor de direita, que respeito muito – ele, como todo direitista, se acha liberal – mas certamente não é bolsonarista, sabe usar os talheres, etc – disse que a esquerda ficou “sem proposta”, por isso está decadente.
Não deixa de ter uma certa razão, mas gentilmente pergunto: e qual é a proposta da direita, fora cair para a extrema? Que programa têm? Se eles tivessem de fato um programa que não fosse destruir o país, quem sabe a esquerda não teria tempo de produzir alguma coisa?
Ainda tenho alguns rinocerontes de estimação nas minhas Redes. Rebato cada mentira deles – e NUNCA li nenhuma verdade, impressionante! – apenas para quem os segue. Eles mesmos não têm mais salvação.
É gente que defende a moça do batom – a tal que ficou 15 horas num ônibus, largando os filhos, e foi tomar o poder. Como é branca, bonitinha, classe média, recebeu uma benesse e saiu da cana. Resultado: está sendo aventada como deputada federal.
Semana passada, por causa do meu argumento que dizia que a revolução francesa começou sem armas, com um quebra-quebra, fui lembrado que a Redentora, de 64, também não teve nenhuma vítima no seu nascedouro. O primeiro de abril daquele ano transcorreu sem sangue. Mas logo tivemos os Ustra da vida para reparar essa falha.
Aliás, digresso de novo: o rapaz que fugiu gerou muita dor: o irmão caçula chorou, o pai chorou, a madrasta chorou, o gado chorou, é uma gente muito emotiva. Lembro bem quando Bolsonaro chorou os milhares de mortos da pandemia!
-Como, minha senhora, ele não chorou? Mas veja, perder um filho que vai para uma terra estranha, mesmo tendo casa e empresa lá, é coisa que dói na alma! Não seja insensível! Ainda mais na bica de ser preso.
Estava tomando um sorvete na padaria quando encontrei o poeta Joaquim Osório Duque Estrada, autor da letra do Hino Nacional. Sabendo que a tal letra foi mexida ao longo dos anos, ao sabor dos acontecimentos, perguntei se hoje modificaria alguma coisa, por conta das atualidades. Ele cofiou a bigodeira, e ponderou:
-Talvez retirasse o “um filho teu não foge à luta”. Mas seria provável que mantivesse a rima…
Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.
Ricardo Dias
Tem formação de Violonista Clássico e é luthier há mais de 30 anos, além de ser escritor, compositor e músico. É moderador do maior fórum de violão clássico em língua portuguesa (violao.org), um dos maiores do mundo no tema e também autor do livro “Sérgio Abreu – uma biografia”.
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