10 de julho de 2025
Por Samantha Maia e Gabriela Farias
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu usar a economia para fazer um ataque político ao Brasil e anunciou, no dia 9 de julho, a imposição de uma sobretaxa de 50% às exportações brasileiras a partir do dia 1º de agosto. Por meio de uma carta, Trump justificou a medida como resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, aos esforços para regular as redes sociais no Brasil e a um alegado déficit comercial dos Estados Unidos (eles na verdade têm superávit na relação bilateral).
Em resposta a Trump, o presidente Lula da Silva publicou uma nota reafirmando a soberania do Brasil e a independência das instituições. O governo brasileiro também destacou que os Estados Unidos têm superávit no comércio de bens e serviços com o país e que o aumento de tarifas anunciado por Trump seria respondido por meio da Lei de Reciprocidade.
Aprovada em abril deste ano, a Lei de Reciprocidade autoriza o governo a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros. A possibilidade de quebra de patentes de medicamentos e defensivos agrícolas é apontada como a principal ferramenta de barganha em meio ao tarifaço dos Estados Unidos.
Apesar do cenário, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse não acreditar na manutenção da tarifa de 50% e destacou a reconhecida capacidade de negociação do Itamaraty.
Relação bilateral Brasil – EUA
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, perdendo apenas para a China no total de valores exportados e importados. Em 2024, o Brasil bateu recorde de exportações para os EUA, com vendas de US$ 40,3 bilhões. Mesmo assim, o valor não superou o total importado pelo Brasil dos EUA, que registraram um superávit comercial de US$ 283 milhões.
Os principais itens exportados pelo Brasil aos EUA em 2024 foram: Óleos brutos de petróleo (14%), Formas primárias de ferro ou aço (8,8%), Aeronaves e equipamentos (6,7%), e Café não torrado (4,7%). Já a lista de produtos importados dos EUA pelo Brasil é liderada por: Motores e máquinas não elétricos (15%), Óleos combustíveis de petróleo (9,7%), Aeronaves e suas partes (4,9%), Demais produtos da indústria de transformação (4,3%).
Consequências políticas e econômicas
Analistas avaliam que o maior impacto do tarifaço poderá ser sentido nos setores de aço e metais para indústrias americanas com cadeias integradas ao Brasil, como as de automóveis, tratores e equipamentos. Entre os grupos econômicos brasileiros mais vulneráveis estão o agronegócio (café, suco de laranja, carnes), siderurgia, aeronaves e manufaturados (calçados).
A quebra da tradição de negociações aumenta as incertezas econômicas, com efeitos significativos para os dois países. Como reação imediata, o anúncio de Trump fez o dólar disparar e a Bolsa cair no Brasil, movimento com potencial inflacionário. Especialistas alertam que, embora o diálogo seja crucial, o tom político da taxação pode levar o Brasil a buscar fortalecer laços com novos parceiros comerciais.
Por Samantha Maia
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