O ano dos outsiders na América Latina – IREE

IREE - Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa

Colunistas

O ano dos outsiders na América Latina

Maria Antonia De’Carli

Maria Antonia De’Carli
Correspondente do IREE em Londres



Entre os anos de 2017 e 2019 a América Latina vai passar por um superciclo de eleições, ao todo serão 14 eleições presidenciais em diversos países – como Colômbia, México e Brasil – produzindo resultados inesperados e outros nem tanto.

O Brasil vai às urnas em outubro de 2018 para eleger o seu chefe de Estado e de governo. O futuro eleitoral parece estar incerto para os brasileiros.

Da perspectiva regional latino-americana, muitos candidatos “outsiders” obtiveram sucesso nas urnas e isso pode ser positivo para uns e negativos para outros. O Brasil não escapa desse cenário.

Devido a uma grande onda de descontentamento com regimes democráticos, que transbordaram em denúncias de corrupção e fracassaram em garantir prosperidade econômica, os eleitores latinos estão fugindo às regras dos grandes partidos e figurinhas carimbadas e votando em candidatos que se dizem fora do sistema e que prometem trazer reformas e medidas diferentes do que já foi visto anteriormente.

Essas incertezas levantam uma questão: qual é a politica mais adequada para se garantir o crescimento econômico e a justiça social?

Apesar de avanços na chamada década de ouro, anos 2000, a América Latina ainda possui uma das economias mais fechadas do mundo – cenário que deverá se manter com as politicas protecionistas do governo Trump e suas sobretaxas comerciais em produtos como aço e alumínio, que afetam diretamente a balança de comércio brasileira.

Para finalizar, um exemplo que não foge à regra do cenário de descontentamento politico latino-americano é o resultado das eleições no México, que consagrou um “outsider” para presidente. O famoso AMLO (apelido para Andres Manuel Lopez Obrador) é o cara do momento.

Ele aposta numa política contra corrupção e violência e em investimentos sociais. Sua equipe econômica é apontada como liberal fora do establishment. Ele é o novo cara da América Latina e há quem faça comparações com o Lula de 2002.

O fato é que o Brasil pode aprender com os mexicanos e escolher nas urnas o seu “outsider”. Os dois países são as duas maiores economias da América Latina, ambos passaram por crises econômicas e institucionais nos últimos dez anos – seria um “outsider” à la AMLO que ajudaria a revigorar a economia brasileira e trazer à tona novos projetos sociais?

É um ponto para reflexão eleitoral: apesar de estarmos batendo um bolão na copa e até termos desclassificado o México nas oitavas, parece que o resultado é inverso no processo eleitoral – e nesse sentido, quem está batendo um bolão são os mexicanos.



Maria Antonia De’Carli

Leia também