Novas tecnologias e investigação penal – IREE

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Novas tecnologias e investigação penal

18 de junho de 2025

Por Gabriela Farias

No painel “Novas tecnologias e investigação penal” do 2º Seminário Internacional de Segurança Pública, Direitos Humanos e Democracia, realizado entre os dias 26 e 29 de maio, em São Paulo, especialistas discutiram o avanço das tecnologias digitais e suas contribuições para a a área da segurança pública.

Eduardo Negreiros, vice-presidente regional da Cellebrite para a América Latina, destacou os desafios de coleta e organização dos dados digitais. “Imagine o volume de informação que tem dentro do celular. Imagine quantos vídeos tem no seu celular, quantas fotos, etc. Imagine agora uma investigação com 20, 30, 40 celulares. Como alcançar dois minutos de um vídeo dentro de um celular ou de vários celulares? Ou como cruzar a informação de vários telefones, nuvem e diversas outras evidências digitais para chegar a uma prova técnica final e encontrar?”, questionou.

Segundo ele, esse cenário demanda o uso de inteligência artificial e ferramentas avançadas de análise. “Basicamente, a Cellebrite oferece esse conjunto de soluções: desde a obtenção da prova técnica e das evidências digitais, passando pelo armazenamento seguro, guarda e garantia da cadeia de custódia, até o cruzamento dessas informações para a investigação.”

Márcia Alves, delegada da Polícia Civil do Distrito Federal e diretora do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro, trouxe um exemplo prático do uso dessas tecnologias no combate ao crime financeiro. “No nosso laboratório, temos mais de 940 casos, mais de 5.200 pessoas investigadas, entre pessoas físicas e jurídicas, mais de 56 mil contas analisadas, num total de mais de 18 milhões de linhas de extrato. Humanamente, é impossível analisar todos esses dados.”

Ela explicou que, diante desse volume, a Polícia Civil tem investido no desenvolvimento de tecnologias próprias. “No nosso laboratório, desenvolvemos uma ferramenta chamada Delos, que é capaz de fazer a análise dos dados bancários para que possamos extrair informações úteis para a investigação.”

Finalizando o painel, Daniel Arbix, diretor jurídico do Google Brasil, ressaltou que esses avanços tecnológicos devem ser acompanhados de garantias jurídicas e respeito aos direitos fundamentais. “É fundamental lembrar que a integridade da evidência digital e a confiança pública exigem que a investigação defensiva seja igualmente habilitada por essas novas tecnologias, e que a privacidade das pessoas seja assegurada.”

Arbix também destacou a necessidade de rigor na aplicação da legislação, citando a Lei de Proteção de Dados (LGPD), que, segundo ele, “tem uma previsão específica para segurança pública”.



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