26 de fevereiro de 2025
Por Samantha Maia e Juliana Pithon
Os dados mais recentes mostram um mercado de trabalho ainda aquecido no Brasil, apesar da alta dos juros, e uma inflação pressionada. O dólar, por sua vez, tem um começo de ano com quedas influenciadas principalmente por fatores externos.
Novidades sobre o saque do FGTS e a recomposição do Plano Safra também movimentam a economia. Confira os destaques a seguir.
Mercado de trabalho
O desemprego subiu para 6,5% no trimestre encerrado em janeiro de 2025, frente à taxa de 6,2% registrada no trimestre concluído em outubro, segundo o IBGE. Apesar da alta, a taxa é a menor da série histórica para o período, se igualando à de 2014.
A renda média, por sua vez, subiu para R$ 3.343 no trimestre encerrado em janeiro, um crescimento de 1,4% na comparação trimestral e de 3,7% no ano.
De acordo com o Caged, o Brasil criou 137,3 mil empregos formais em janeiro, sendo a indústria o setor que mais empregou, seguido por Serviços, Construção Civil e Agropecuária. Apenas Comércio fechou vagas. A remuneração média de admissão subiu para R$ 2.251,33, com a indústria oferecendo os maiores salários.
Apesar do início positivo, a criação de empregos ficou abaixo dos 173.233 postos gerados em janeiro de 2024.
Inflação
O IPCA-15 de fevereiro subiu 1,23%, a maior alta para o mês desde 2016, pressionado pela elevação pontual de 16,33% na conta de luz, depois de um bônus de Itaipu reduzir custos em janeiro. O acumulado em 12 meses chegou a 4,96%, acima do teto da meta de inflação para 2025.
Segundo o IBGE, o IPCA de fevereiro veio abaixo da expectativa do mercado, que projetava 1,36%, devido à queda nas passagens aéreas (-20,42%) e à menor alta nos alimentos (0,61%). O grupo Habitação teve o maior impacto no índice mensal (4,34%), seguido por Educação (4,78%).
Para 2025, a estimativa de inflação subiu de 5,60% para 5,65% na décima nona alta seguida. Com isso, segue acima e cada vez mais distante do teto da meta, de 4,5%, segundo o Boletim Focus. Para 2026, a expectativa subiu de 4,35% para 4,40%. Foi o nono aumento consecutivo no indicador.
Dólar
Em fevereiro, o dólar teve 11 quedas consecutivas, chegando a R$ 5,81, a maior sequência desde 2005, impulsionado pelo recuo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em tarifas contra o México. No dia 14 de fevereiro, a moeda americana caiu para R$ 5,69, menor nível em três meses.
O movimento do dólar neste começo de ano tem sido influenciado pela percepção de uma política comercial menos agressiva de Trump e pela valorização de commodities metálicas. Vendas mais fracas no varejo dos EUA, que abriram espaço para uma nova rodada de desmonte de posições compradas na moeda americana, também ajudaram na desvalorização do dólar.
Dados do mercado de trabalho no Brasil e a política tarifária dos EUA levaram, no entanto, o dólar a fechar em nova alta na quarta, 26 de fevereiro, a R$ 5,80.
FGTS e Plano Safra
O governo anunciou mudanças no saque-aniversário do FGTS para liberar automaticamente o saldo a trabalhadores demitidos desde janeiro de 2020. A medida beneficiará 12,1 milhões de pessoas e injetará R$ 12 bilhões na economia, com pagamentos em duas etapas: até R$ 3.000 primeiro e o restante após 110 dias. A liberação dos recursos busca estimular o consumo, mas pode gerar impacto inflacionário.
Foi publicada uma MP que libera R$ 4 bilhões para recompor as linhas de financiamento do Plano Safra 2024/2025, após a suspensão de novos créditos por falta de aprovação do Orçamento de 2025. Sem essa definição, o Executivo só poderia gastar 1/12 do previsto por mês, o que restringiu os recursos do programa.
A paralisação gerou críticas do setor agropecuário e da Frente Parlamentar da Agropecuária. Com a medida, o governo prevê normalizar os financiamentos na próxima semana. O Plano Safra é o maior programa de crédito agrícola do país, voltado para pequenos, médio e grandes produtores.
Por Samantha Maia
Leia também
Live: Os programas econômicos dos candidatos à Presidência
Continue lendo...
Quais as propostas dos candidatos para o salário mínimo?
Continue lendo...
O futebol brasileiro sob o domínio das bets
Continue lendo...