4 de outubro de 2024
Por Samantha Maia e Juliana Pithon
A agência de classificação de risco Moody’s elevou a nota de crédito soberano do Brasil de Ba2 para Ba1 e destacou em sua decisão o ambiente de crescimento constante no país e os esforços do governo brasileiro para aumentar receitas e cortar despesas. A expectativa de estabilização da dívida em torno de 82% do PIB e as grandes reservas cambiais do Brasil também foram citados pela agência como fatores para a melhora na avaliação.
O aumento da nota de crédito deixa o Brasil a um nível do grau de investimento, que significa atestar a capacidade do país realizar o pagamento de suas dívidas. A decisão da Moody’s contrariou análises de representantes do mercado financeiro brasileiro, que veem com desconfiança a política fiscal do governo.
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Situação fiscal
No dia 30 de setembro, o Banco Central divulgou as Estatísticas Fiscais, que mostram que a dívida bruta do governo geral subiu pelo 14º mês consecutivo, alcançando 78,55% do PIB em agosto. É o maior patamar desde outubro de 2021, quando chegou a 79,5%. Em declaração à imprensa, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que a previsão é de que a dívida deverá se estabilizar entre 81% e 82% do PIB até 2028.
O setor público registrou um déficit primário de R$ 21,4 bilhões em agosto, acumulando R$ 227,5 bilhões nos últimos 12 meses. O déficit estimado para 2024 pela equipe econômica é de R$ 68,83 bilhões, dentro do intervalo da meta.
Também no dia 30 de setembro, o governo publicou um decreto que bloqueia R$ 13,3 bilhões no orçamento para atender à meta de resultado fiscal de 2024. Os ministérios da Saúde (R$ 4,5 bilhões), das Cidades (R$ 1,7 bilhão) e da Educação (R$ 1,3 bilhão) são os mais afetados pelo congelamento. O montante congelado foi reduzido em relação ao decreto de julho, que havia bloqueado R$ 15 bilhões.
Dados da indústria
segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada no dia 2 de outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial apresentou estabilidade em agosto, com alta de 0,1% em relação a julho, após uma queda de 1,4% no mês anterior e um avanço de 4,4% em junho.
No acumulado dos 12 meses até agosto, a indústria cresceu 2,4%, e no acumulado de 2024, a alta é de 3%. Embora a produção industrial esteja 1,5% acima do nível pré-pandemia, ainda permanece 15,4% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.
O desempenho dos setores industriais apresentou resultados mistos. Bens de capital e bens duráveis caíram respectivamente 4% e 1,3% em agosto em relação a julho, e bens intermediários cresceram 0,3% entre julho e agosto. Bens semi e não duráveis, 0,4%; e Bens de consumo 0,7%.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria subiu de 50,4 em agosto para 53,2 em setembro. O aumento foi impulsionado por um novo crescimento da produção, o fortalecimento da criação de empregos e a aceleração no crescimento das vendas.
Segundo a empresa de análise S&P Global, a melhora do desempenho da indústria brasileira reflete em aumento dos custos de insumos e dos preços dos bens finais em taxas mais rápidas dos últimos dois anos. O subsetor de bens de capital foi o que mais se destacou em setembro, mostrando o melhor desempenho em termos de crescimento das vendas e da produção.
Por Samantha Maia
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