22 de dezembro de 2025
Por Gabriela Farias e Samantha Maia
O ano de 2025 deve ser o segundo ou terceiro mais quente já registrado, com temperatura média global 1,42 °C acima da média pré-industrial, segundo previsão do Relatório “Estado do Clima Global”, da Organização Meteorológica Mundial (OMM). O dado integra uma sequência de 11 anos, de 2015 a 2025, que concentram as temperaturas médias mais altas dos 176 anos de registros observacionais.
No Brasil, 2025 foi um ano de contrastes climáticos. Houve episódios graves de inundações, que atingiram estados do Sul, Sudeste, Norte e Nordeste, afetando milhares de pessoas e levando à decretação de emergência em diversos municípios. Em outros períodos do ano, a estiagem também se fez presente, com a seca se intensificando no Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste, enquanto perdeu força no Norte e no Sul ao longo do segundo semestre.
O país enfrentou eventos climáticos extremos, como o tornado de nível F4, considerados devastadores, com velocidade do vento estimada entre 332 km/h e 418 km/h, que atingiu 11 municípios do Paraná no dia 7 de novembro de 2025. O evento causou uma destruição em larga escala, com mortos e centenas de feridos, e foi um dos desastres mais graves da história do estado. No dia 23 de novembro de 2025, foi a vez de um forte temporal com granizo castigar a cidade de Erechim (RS), um dos mais severos de sua história, que afetou mais de 43 mil pessoas, levando à decretação de estado de emergência.
Apesar dos desastres climáticos, houve alguns avanços ambientais em 2025. Depois de um ano marcado por recorde de queimadas, o número de focos caiu 61% em 2025 em relação a 2024, segundo acompanhamento do Inpe. A redução foi resultado de um clima com temperaturas e níveis de umidade dentro da normalidade, somado ao reforço das políticas públicas de prevenção. Os dados mais recentes de desmatamento também foram melhores. De acordo com dados do Inpe, a área desmatada na Amazônia caiu 11,08% de agosto de 2024 a julho de 2025 em relação ao período anterior. É a terceira menor taxa da série histórica, desde 1988, e o terceiro ano consecutivo de redução.
Clima em 2026
No Brasil, o ano começa sob a influência residual do La Niña e deve transitar para neutralidade climática no Pacífico ainda no primeiro trimestre, aumentando a variabilidade do tempo. Os impactos esperados são: Norte e parte do Nordeste podem ter chuvas acima da média; Sul tende a registrar volumes abaixo da média; Centro-Oeste e Sudeste dependerão de frentes frias e sistemas regionais; e primavera e verão concentram períodos de calor intenso e maior frequência de tempestades.
Já o clima global em 2026 tende a ser menos previsível e mais dependente de dinâmicas regionais. Na prática, isso significa: eventos extremos mais localizados e difíceis de antecipar; ondas de calor continuam frequentes, impulsionadas pelo aquecimento dos oceanos; chuvas mais irregulares, alternando períodos secos e temporais intensos; fenômenos como tornados, tempestades severas e ciclones extratropicais passam a depender sobretudo de condições atmosféricas locais.
Diante de um cenário climático mais instável, as diretrizes pós-COP30 ganham centralidade em 2026. Segundo o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, 2026 será guiado por três eixos centrais: construir o mapa do caminho para reduzir a dependência de combustíveis fósseis; acelerar o combate ao desmatamento; e ampliar a restauração florestal.
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