Marina Silva: Sustentabilidade é uma forma de visão de mundo – IREE

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Marina Silva: Sustentabilidade é uma forma de visão de mundo

A Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, foi a primeira entrevistada do Podcast Reconversa, em março de 2023. Na época, havia recém assumido a pasta e falou sobre os desafios para a sustentabilidade, a urgência do enfrentamento das mudanças climáticas e os problemas ambientais enfrentados pelo Brasil.

Relembre essa interessante conversa inaugural do programa apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. Um compacto do vídeo pode ser visto aqui.

Filha de um seringueiro e de uma dona de casa, Marina Silva nasceu na comunidade de Breu Velho, no Acre, e cresceu em condições precárias, vindo a alfabetizar-se apenas na adolescência. Contrariando seu destino, logo formou-se em História pela Universidade Federal do Acre e, posteriormente, fez pós-graduações em Teoria Psicanalítica e Psicopedagogia.

Sua entrada na política ocorreu a partir do envolvimento com a luta ambientalista de sindicatos de trabalhadores rurais da Amazônia. Marina Silva elegeu-se vereadora de Rio Branco em 1988, deputada estadual em 1990 e, em 1994, foi eleita a senadora mais jovem da história do Brasil, com 35 anos. Ocupou a pasta do Meio Ambiente pela primeira vez de 2003 a 2008, e foi candidata à Presidência da República por três vezes. Sua atuação é reconhecida internacionalmente, com prêmios como o Goldman Environmental Prize e o Champions of the Earth da ONU.

Limites do planeta

A ministra Marina Silva falou sobre o conceito de sustentabilidade para além de formas de fazer, mas principalmente como uma maneira de ser e de ver o mundo.

O planeta não aguenta mais de 7 bilhões de pessoas desejando ter, porque a capacidade de desejar do ser humano é infinita. O planeta já está no vermelho em mais de 30% da sua capacidade de suporte e, em relação ao aquecimento global, nós já estamos avaliando se vamos ou não chegar no ponto de não retorno, pois já estamos vivendo sob efeito da mudança do clima.”

Políticas de enfrentamento aos desastres ambientais

A ministra do Meio Ambiente explicou quais foram as estratégias de ação diante do desastre no litoral de São Paulo, ocorrido em fevereiro de 2023, e apresentou o que precisa ser feito em relação aos planos emergenciais de prevenção e de prontidão.

“A gente precisa fazer um Plano de Prevenção dos riscos e das mazelas causados pelos eventos climáticos extremos. Se você já sabe que tem 1038 municípios que é recorrente esse fenômeno, vamos decretar estado de emergência ambiental permanente? Vamos ter orçamento que não contingenciado? Vamos revisitar o 8666 para que o prefeito e o governador possam contratar obras?”

Liderança brasileira

Marina Silva defendeu que o Brasil pode liderar a adoção de tecnologias sustentáveis, beneficiando tanto o meio ambiente quanto a economia.

“O Brasil precisa sair da dependência do carvão. A gente tem tecnologia, conhecimento – não só da ciência, mas inclusive dos povos originários – que nos permitem dobrar e até triplicar a produção agrícola do país, que já é uma potência, sem precisar derrubar mais uma árvore. A resposta técnica está dada, o que falta é o compromisso ético, político de colocar essa técnica e os recursos humanos, tecnológicos e orçamentários pra fazer essa transição.”

Racismo Ambiental

Marina Silva explicou o conceito de racismo ambiental a partir de como os desastres afetam desproporcionalmente pessoas pretas, indígenas e pobres, forçadas a viver em áreas de risco, evidenciando a desigualdade na distribuição dos impactos ambientais.

“O racismo ambiental é o fato de que são as pessoas pretas, as pessoas indígenas, as pessoas pobres, que pagam o maior preço pelos desastres ambientais. Quem é que mora nas encostas? São os pobres, a maioria pretos. Quando vem deslizamento. As áreas mais nobres, as áreas planas, ficam para as pessoas que tem, digamos, maior abastância. As pessoas pobres vão sendo empurradas para essas áreas.”



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