12 de novembro de 2024
Em entrevista ao Podcast Reconversa do dia 12 de novembro, o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, falou sobre as dificuldades enfrentadas pelo partido, defendeu a coerência da legenda e analisou cenários futuros. “Tenho conseguido dialogar e unir o partido, trazendo-o de volta ao debate nacional. O PSDB faz falta, e até Lula e Geraldo dizem ter saudades do tempo em que o debate era de alto nível”, disse ele.
Filiado no PSDB há mais de 30 anos, Marconi Perillo já foi deputado, senador e governador de Goiás por quatro mandatos. Nascido em Goiânia, cresceu em Palmeiras de Goiás e conta que na infância gostava de assistir aos comícios na cidade. Começou sua trajetória política na juventude do MDB. Em 1994, foi eleito deputado federal pelo PP, e em 1998, já no PSDB, ganhou a eleição para o governo de Goiás, tornando-se o governador mais jovem do Brasil.
O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.
Confira a seguir os destaques do episódio!
A oposição ao PT
Questionado sobre se Geraldo Alckmin seria vice de Lula caso ainda estivesse filado no PSDB, a resposta categórica de Marconi Perillo foi não. Segundo ele, o partido deve protagonizar a oposição ao PT. O ex-governador destacou, no entanto, a forte relação pessoal e política que mantém com o vice-Presidente.
“Não seria na eleição de 2022 e nem na outra. Porque nós sempre protagonizamos o ‘anti-lulopetismo’. Claro, de uma forma respeitosa, nunca da cintura para baixo, sempre discutindo no alto nível. Pelo que eu conheço do PSDB, jamais teríamos apontado o vice do Lula, até porque o PSDB fez prévias para escolher candidato a Presidente da República. Então seria absolutamente incoerente, contraproducente, se a gente tivesse feito qualquer aliança.”
Os políticos do PSDB estão ultrapassados?
Sobre o espaço perdido pelo PSDB no eleitorado para políticos mais à direita, Marconi Perillo defendeu figuras históricas do partido e destacou que a legenda não deve aderir ao vale-tudo para ganhar votos.
“Infelizmente, as principais cabeças do PSDB se foram. Quando lembramos dos governos do FHC, eles foram bem-sucedidos porque havia um príncipe na presidência: um intelectual, uma pessoa bem-intencionada, honesta, com ideias de reformas. Ele conseguiu escolher, para as áreas estratégicas, pessoas absolutamente competentes, qualificadas e com história, quadros com virtude. O primeiro movimento foi esse: muitos dos nossos se foram, ficaram desanimados. O segundo movimento foi o das redes sociais, que embruteceram o debate político, empobreceram a discussão. Hoje, todo mundo se acha protagonista das histórias mais esdrúxulas. Esse movimento nos surpreendeu e, claro, nos colocou em desvantagem, pois não conseguimos ser estridentes ou fazer fake news. Esse não é o nosso perfil, e pagamos um preço por isso, pois não vamos aderir a esse vale-tudo para ganhar votos.”
Aécio e Dilma
Marconi Perillo analisou as consequências políticas do impeachment da ex-Presidente Dilma Rousseff, que, segundo ele, prejudicou o PSDB e acabou beneficiando o bolsonarismo.
“Bolsonaro foi o grande vitorioso nessa história toda. Quem seria o grande beneficiário da continuidade e da conclusão do governo da Dilma? O PSDB? Mas o quê? O problema da Dilma foi econômico, e economia sempre elevou e destruiu governantes. Eu e o Geraldo Alckmin defendíamos que a Dilma continuasse, por razões até pragmáticas e também por conta da questão institucional, nós éramos governadores. Muita gente preferiu ir na história do que a rua estava pedindo. Eu não me atreveria a dizer que foi um erro o PSDB votar a favor de impeachment. Naquela época, era o que tinha que ser feito. Mas para o PSDB houve um prejuízo incalculável a não continuidade do governo da Dilma. Se a Dilma continua, eu tenho quase certeza que o grande beneficiário, e provavelmente o grande vitorioso em 2018, seriam nós”, afirmou.
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