Marcello Faulhaber: Esquerda perde na comunicação por estar presa aos fatos – IREE

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Marcello Faulhaber: Esquerda perde na comunicação por estar presa aos fatos

8 de abril de 2025

Em entrevista ao Podcast Reconversa que foi ao ar no dia 8 de abril, Marcello Faulhaber, considerado uma das figuras de ponta do marketing político no país, falou sobre as dificuldades da comunicação política da esquerda no Brasil e traçou cenários para a disputa eleitoral de 2026.

Marcello Faulhaber é um profissional que pensa a estratégia de uma campanha política. Queria ser piloto, estudou no Colégio Naval, formou-se em engenharia de produção e fez mestrado em Economia Política Internacional pela London School of Economics. Também trabalhou no mercado financeiro, mas migrou para a vida pública. Foi presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV-PSDB) e subscretário do então prefeito Eduardo Paes entre 2008 e 2010. Em 2016, coordenou a campanha de Marcelo Crivella à prefeitura carioca e foi peça-chave nas campanhas de Paes em 2020 e 2024. 

O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas vão ao ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui. 

Confira a seguir os destaques do episódio!

A esquerda se adaptou à comunicação digital?

Faulhaber falou sobre a dificuldade da esquerda em se adaptar à comunicação política contemporânea e destacou que a vantagem da direita é não ter compromisso com os fatos. Apesar das mudanças tecnológicas, ele defende e o papel relevante do horário eleitoral na disputa de narrativas no Brasil.

“Nós ainda estamos presos aos fatos. Eles não têm compromisso com os fatos. Eles não têm compromisso com a verdade. Essa é uma vantagem comparativa monstruosa. Mas nós temos que abrir mão dos fatos? Aí que está: eu acho que não. Pelo poder, a gente vai abrir mão da realidade, da verdade, dos fatos? Não. A gente tem que lutar.”

Os estratos políticos da sociedade brasileira

​Questionado sobre as características conservadoras de parte da população mais pobre do Brasil, Marcello Faulhaber discorreu sobre uma pesquisa que fez sobre os estratos políticos da sociedade em 2017 e chamou atenção para uma disputa importante, mas pouco falada no país, entre o agronegócio e o mercado financeiro. “É a grande briga da economia política brasileira”, afirmou.

​”​O maior ​grupo de todos​, em 2017​, era o conservador​, a favor de um Estado grande​ porque ele precisa​ do transporte público,​ do SUS​, da escola pública​, 55% da população tinha essa característica.​ Depois vem o segundo grupo,​ que é o liberal de costumes,​ mas a favor do Estado grande.​ Era 23% da população,​ que coincide com a elite​ intelectual E você vinha o grupo que era​ conservador nos costumes,​ mas a favor do Estado​ Estado mínimo​, 16%. Que é a direita​ clássica, que virou a direita​ Bolsonarista​. E tem 6%,​ a elite financeira, que ​é liberal nos costumes​ e a favor do Estado mínimo, que​​ ​são os grandes grupos empresariais,​ os banqueiros, a grande mídia etc.​”

Confiabilidade nas pesquisas eleitorais

Marcello Faulhaber analisou os resultados das recentes pesquisas sobre os cenários para a eleição de 2026 e afirmou que, apesar da queda da aprovação de Lula, o Presidente deve vencer o próximo pleito. O marqueteiro também alertou sobre possíveis distorções nos dados das pesquisas e disse que nem todos os institutos são confiáveis.

“O Lula vai ganhar com dificuldade, mas vai ganhar porque a economia vai melhorar e a direita vai estar esfacelada. Eu não acredito nessa coisa da candidatura única do governador de São Paulo. Eu acho que o Bolsonaro vai até o final e vai fazer a mesma estratégia que o Lula fez em 2018.”

Cenários e estratégias para a eleição presidencial de 2026

Para Faulhaber, Geraldo Alckmin deve se manter como vice na chapa de Lula em 2026. Ele também afirmou que o Presidente da República é refém das dinâmicas do Congresso, com destaque para a influência decisiva do Centrão na condução política e orçamentária do país.

“Eu entendo que o Brasil não vive um presidencialismo de coalizão, e sim um presidencialismo em que o presidente da República se torna refém do Congresso Nacional. Na verdade, o sistema institucional que foi construído faz com que o Presidente não seja apenas refém do Congresso, mas do Centrão.”



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