13 de agosto de 2024
Em entrevista ao Podcast Reconversa do dia 13 de agosto, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo falou sobre a história do pensamento econômico e da economia brasileira, teceu críticas à política monetária e refutou a definição de economista heterodoxo.
Economista-chefe do IREE, Luiz Gonzaga Belluzzo é doutor em Economia, formado em Direito e Ciências Sociais pela USP. É Professor emérito da Unicamp e da Universidade Federal de Goiás e fundador da Faculdades de Campinas (Facamp). Ex-presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, Belluzzo foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1985-1987) durante o governo de José Sarney e, de 1988 a 1990, foi secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo durante a gestão do ex-governador Orestes Quércia.
Belluzzo não acredita que o país esteja sob o risco de uma escalada inflacionária e defendeu que o sistema de metas para a inflação precisa ser reavaliado.
“Por que é que o Brasil não vai ter hiperinflação? Porque nós temos reservas parrudas. Isso é a proteção necessária num sistema monetário internacional que é assimétrico. E eu acho que essa taxa de juros é bastante discutível. Aliás, a gente precisava fazer uma avaliação mais acurada desse regime de metas de inflação. Tem muita gente que, fora do Brasil, escreve sobre isso. Aqui ninguém escreve nada, parece que é um dogma.”
O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas agora vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.
Confira a seguir os destaques do episódio!
Política de juros e choque de oferta
Luiz Gonzaga Belluzzo chamou atenção para a inadequação da política de juros altos para lidar com choques de oferta, como o caso do petróleo, cujo aumento de preço independe da demanda dos consumidores.
“Como é que você vai combater isso com a taxa de juros? A inflação demora para cair porque o aumento de preços vai se difundindo por toda a economia. Você tem que ter uma estabilização dos preços com estoques reguladores, para impedir esses episódios de oscilação excessiva dos preços. Outra coisa é ter um fundo de estabilização para o caso do petróleo, o Brasil pode ter, pois somos exportadores. Isso foi proposto no Congresso, mas ninguém ligou.”
Análise do governo Lula
O economista falou sobre a complexidade e os desafios enfrentados pelo governo Lula na articulação política. Segundo ele, a busca em trazer uma grande diversidade de posições políticas para dentro do governo pode levar à descoordenação.
“Eu diria que há certa dispersão em áreas que poderiam ser mais mobilizadas devido à diversidade de pontos de vista e posições políticas. Economistas muitas vezes desconsideram as restrições políticas na economia. A descoordenação dentro do governo reflete a escolha política de tentar apaziguar e ampliar a base de apoio. Apesar disso, as discussões no Congresso não têm sido fáceis.”
Teorias econômicas
Luiz Gonzaga Belluzzo desafiou a divisão entre economistas ortodoxos e heterodoxos, e destacou o papel de Marx, Keynes e Schumpeter na formulação de hipóteses sobre o capitalismo.
“Eu não gosto da denominação heterodoxo porque não podemos deixar de considerar os três principais economistas que formularam as hipóteses mais consistentes sobre o funcionamento da economia monetária financeira capitalista. Esses três patronos são Marx, Keynes e Schumpeter. A maioria dos ortodoxos não leu esses três. Eles acreditam que Marx era comunista, quando, na verdade, ele era iluminista e admirava muito o capitalismo.”
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