24 de setembro de 2024
Em entrevista ao Podcast Reconversa do dia 24 de setembro, a Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação Luciana Santos detalhou a atuação de sua pasta, falou sobre os desafios para transformar pesquisa em produtos e serviços no Brasil e defendeu o papel do Estado no fomento à inovação.
“Não tenho dúvida que se o Brasil quiser se posicionar e se tornar um país que corresponda à sua grandeza, à sua diversidade, ao seu potencial natural e às suas vocações, nós temos que ter uma política de Estado forte no incentivo à pesquisa, desenvolvimento e inovação. O nosso sistema nacional de ciência e tecnologia não é menor do que nenhum sistema do mundo. No ranking de indicadores da fundação Innovation Global, somos 13º em produção científica e o nosso grande paradoxo é que nós somos 49º em inovação, ou seja, essa produção não se traduz em produtos e serviços.”
Pernambucana, neta de operários e sindicalistas do bairro de Santo Amaro, no Recife, Luciana Santos começou sua trajetória como militante do movimento estudantil. Foi presidente do Diretório Acadêmico das Exatas e se formou em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), período em que se filiou ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Foi prefeita de Olinda por dois mandatos, exerceu o cargo de Deputada Federal e se tornou a primeira mulher vice-governadora de Pernambuco. Também foi Secretária de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente na gestão de Eduardo Campos e, atualmente, é Presidente Nacional do PCdoB.
O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas agora vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.
Confira a seguir mais destaques do episódio!
Orçamento e unidades de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Luciana Santos detalhou a estrutura do sistema nacional de ciência e tecnologia brasileiro, composto por unidades de pesquisa e autarquias sob a gestão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A ministra também destacou a importância da FINEP no financiamento de atividades estratégicas.
“O orçamento discricionário do ministério é de R$ 2,9 bi, mas o que é o fomento à ciência e tecnologia? O que é o investimento? Nós temos 18 unidades de pesquisa que tenho a gestão direta sobre elas, o INSA, que é Instituto Nacional do Semiárido, Centro Tecnológico do Nordeste, Museu Emílio Goeldi, o CBPF, Laboratório Nacional de Ciência da Computação, em Petrópolis, que tem o Santos Dumont, que é o nosso supercomputador que nós queremos na inteligência artificial que ele vire o 5º do mundo, então nós temos um sistema nacional de ciência e tecnologia arrojado.”
A agenda de industrialização no Brasil
Questionada sobre a vocação brasileira na indústria, a ministra destacou as missões do programa Nova Indústria Brasil, lançado em 2023, que tem o objetivo de impulsionar a indústria nacional até 2033. Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa tem seis missões voltadas para os setores de agroindústria, saúde, infraestrutura urbana, tecnologia da informação, bioeconomia e defesa.
“Nós escolhemos essas seis missões porque é exatamente onde temos mais potencial. As pessoas são meio céticas, mas quantas vezes já se viu uma agenda de industrialização no Brasil? Muito poucas vezes.”
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