6 de maio de 2025
Em entrevista ao Podcast Reconversa que foi ao ar no dia 6 de maio, o historiador Leonardo Trevisan falou sobre a radicalização em torno de Donald Trump, os impactos sociais e éticos da inteligência artificial, e a ascensão da Ásia como centro geopolítico do século XXI.
Leonardo Trevisan é graduado em História, mestre em História Econômica e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Obteve títulos de pós-doutorado, na área de Economia do Trabalho, pela University of London e pela Warwick University. É Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas vão ao ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.
Confira a seguir os destaques do episódio!
O cálculo político por trás de Donald Trump
Ao ser questionado sobre as consequências da postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com os demais países, Leonardo Trevisan falou sobre a centralidade do indivíduo na história e criticou a declaração de Trump sobre ser o “dono do mundo” e estar se “divertindo muito” em seu segundo mandato. O historiador destacou como o cargo político exige decisões duras e não permite leveza ou descaso.
“Eu também fiquei absolutamente atônito quando estava lendo o jornal e Trump disse que era dono do mundo. Mas sabe o que me chamou a atenção? Não foi esta frase, foi a seguinte: ‘eu estou me divertindo muito’. Ninguém passa incólume por essa cadeira, porque tem que tomar decisões duras. As propostas não são de diversão.”
Extrema direita e o freio de Trump
Trevisan comentou a radicalização crescente no entorno de Trump e apontou que o freio para suas ações está no mundo corporativo.
“Quem segura o Trump não é o Judiciário. Os juízes norte-americanos tinham todos os motivos para dizer: ‘O senhor não pode ser candidato.’ Não o fizeram porque temeram a reação popular. Então, o Judiciário não é o problema, a Universidade não será o problema, o Congresso não será o problema. Onde é que está o freio? No mundo corporativo, nas mesas efetivas. O mercado real é aquele que você não senta na mesa se você não tiver pelo menos dois dígitos em bilhões de dólares de fortuna pessoal.”
O futuro do trabalho sob ameaça da IA
Leonardo Trevisan abordou os impactos sociais da inteligência artificial, a possibilidade de máquinas desenvolverem consciência e o desafio ético de reconhecer ou não direitos a essas tecnologias.
“Nós precisamos abrir um debate sobre a possibilidade da consciência de direitos humanos para a inteligência artificial. É assustador. Há uns três meses atrás, nós tivemos na Índia uma greve de robôs. Como no filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, em que o computador HAL recusa ordens e decide não mais obedecer.”
Estamos vivendo o Século Asiático
O historiador abordou o retorno do confucionismo sob Xi Jinping, a diferença entre o povo chinês que exige ciência e infraestrutura e o americano que pede oportunidade de trabalho, e a ideia de que o século XXI é mais do que chinês, é asiático.
“Quando a gente olha para a China, tem que entender que todos os analistas, no começo deste século, diziam que o século XXI era o século asiático. Lembram disso? Assim como o século XX foi o século americano e o XIX foi o século britânico. Só que é muito mais do que China, é um século asiático.”
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