Kamala vs Trump: uma eleição de ineditismos e reviravoltas – IREE

Análises e Editorial

Kamala vs Trump: uma eleição de ineditismos e reviravoltas

24 de julho de 2024

A provável entrada da vice-Presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, na disputa presidencial no lugar do Presidente Joe Biden adiciona um novo capítulo a uma eleição marcada por ineditismos e reviravoltas.

A mudança ocorre a pouco menos de 4 meses da eleição, cujo processo já contou com episódios como a condenação de Donald Trump por fraude fiscal em maio deste ano e um atentado sofrido pelo ex-Presidente durante um comício no dia 13 de julho.

Biden anunciou sua desistência da disputa presidencial no domingo, 21 de julho, momento em que também indicou o nome de sua vice como candidata. No dia seguinte, Kamala já contava com apoio do total de delegados necessários para assegurar sua nomeação presidencial pelo Partido Democrata e aparecia à frente nas pesquisas, empatada com Trump na margem de erro.

Desistência de Biden 

A disputa se mostrava difícil para Biden, que via sua aprovação cair diante de críticas direcionadas principalmente à sua gestão econômica, com o aumento da inflação. Apesar do crescimento do país acima do esperado e a criação de empregos no ano passado, pesquisa indicava que 51% dos entrevistados acreditavam estar em uma situação econômica pior desde que Biden se tornou presidente.

Pesquisas de intenção de votos refletiam a desaprovação ao governo. Mesmo após a condenação de Trump, um acontecimento histórico contra um ex-Presidente, Biden não conseguiu abrir grande vantagem, aparecendo apenas 2 pontos percentuais à frente do candidato republicano na preferência do eleitorado.

A pressão para que o Presidente desistisse da disputa aumentou depois do primeiro debate presidencial, realizado em 27 de junho, quando Biden teve dificuldades para completar alguns raciocínios. O desempenho ruim no debate deu mais força ao argumento de que sua idade era um empecilho para exercer um segundo mandato. É a primeira vez que um Presidente não tenta a reeleição nos Estados Unidos em 50 anos.

A resistência de Trump

Donald Trump foi eleito Presidente dos Estados Unidos em 2016 em uma vitória bastante apertada no Colégio Eleitoral. No voto popular, ele perdeu da democrata Hillary Clinton por 2,8 milhões de votos. Ao tentar a reeleição em 2020, Trump perdeu por pouco no Colégio Eleitoral e viu a rejeição dos eleitores aumentar diante de uma má gestão na pandemia de Covid-19. Joe Biden venceu com 7 milhões de votos na frente.

Como um mau opositor, Trump questionou de maneira fervorosa a integridade do processo eleitoral americano, com a apresentação de diversas acusações de fraude no pleito, sem que nada fosse provado. Também mau perdedor, o ex-Presidente não reconheceu sua derrota e incitou apoiadores a invadirem o Capitólio, sede do Congresso americano, episódio que ficou marcado na história da democracia americana.

Em maio deste ano, Trump tornou-se o primeiro Presidente americano a ser considerado criminalmente culpado em um processo. Apesar das derrotas nas urnas e na justiça, Trump manteve sua força no Partido Republicano, o que o permitiu novamente entrar na disputa presidencial. No dia 13 de julho de 2024, Trump sofreu um atentado durante um comício e foi ferido por uma bala na orelha, acontecimento que prometia mudar os rumos da corrida eleitoral.

A estratégia de Kamala

Agora a vice-Presidente Kamala surge como uma nova aposta para o Partido Democrata se manter na Casa Branca. Em seu primeiro discurso, ela colocou em marcha uma estratégia de contrapor sua carreira como promotora com a posição de Trump como criminoso condenado pela Justiça. “Enfrentei predadores que abusaram de mulheres, fraudadores, traidores. Eu conheço o tipo de Donald Trump“, afirmou Kamala em discurso.

Primeira mulher a se tornar vice-presidente dos EUA, Kamala é formada em Direito e Ciências Políticas, foi procuradora da cidade de São Francisco e do estado da Califórnia, além de senadora pelo estado entre 2017 e 2020. Apesar da expectativa positiva sobre seu papel no mandato de Biden, a vice-presidente não teve seu desempenho bem avaliado, com destaque negativo para sua atuação na busca de soluções para o problema migratório na fronteira com o México e países da América Central.

Kamala destacou-se na liderança da campanha pelo direito ao aborto e na aprovação de lei que garantiu financiamento emergencial e pagamento de auxílio na pandemia de covid-19. A vice-Presidente também chamou atenção em março deste ano, ao criticar de forma mais incisiva o governo de Israel por não fazer o suficiente para impedir uma “catástrofe humanitária” em Gaza.

Perspectivas 

Donald Trump foi oficializado como candidato do Partido Republicano à corrida presidencial no dia 15 de julho, e o senador J.D. Vance como vice. A oficialização ocorreu durante a Convenção Nacional do Partido Republicano em Milwaukee, Wisconsin. Já a Convenção Nacional Democrata, que vai oficializar seu candidato para disputar a Casa Branca, será realizada entre 19 de agosto e 22 de agosto. As eleições dos EUA acontecem em 5 de novembro.

Segundo a pesquisa de intenção de voto da Reuters/Ipsos divulgada no dia 23 de julho, que apontou Kamala (44%) empatada tecnicamente com o republicano Trump (42%), 56% dos eleitores acreditam que Harris é “mentalmente afiada e capaz de lidar com desafios”, comparado a 49% para Trump. Apenas 22% dos eleitores avaliaram Biden dessa forma.



Por Samantha Maia

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