Justiça por Marielle: Impactos sobre a democracia – IREE

Análises e Editorial

Justiça por Marielle: Impactos sobre a democracia

Por Juliana Pithon e Samantha Maia

No dia 24 de março de 2024, o Brasil voltou sua atenção para um dos momentos mais significativos da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018. Após uma busca marcada por reviravoltas, incluindo testemunhas falsas e delegados afastados, a Polícia Federal prendeu os três acusados de encomendarem o crime.

Foram presos Domingos Brazão, Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), Chiquinho Brazão, Deputado Federal pelo União Brasil, e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio Rivaldo Barbosa, delatados pelo ex-PM Ronnie Lessa, assassino confesso. ‌

De acordo com a PF, os irmãos Brazão foram os mentores do crime, enquanto Barbosa, que havia assumido um posto de liderança na véspera, planejou cuidadosamente a execução e garantiu aos envolvidos que não seriam punidos.

A motivação do crime não está clara, mas o documento da Polícia Federal indica que Marielle Franco era um empecilho para as atividades ilegais de grilagem e de operação de milícias dos irmãos Brazão no Rio.

O avanço das investigações com a prisão dos suspeitos e perspectiva de solução do caso é um passo importante para a democracia na medida que a impunidade enfraquece a legitimidade das instituições responsáveis por garantir a segurança e a justiça do país

Declarações

“Há seis anos, nos tiravam Marielle e Anderson em um crime brutal que abalou as estruturas democráticas do país. A solução deste crime, sobre quem mandou matar e porquê, é uma resposta para a democracia.” – Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle Franco

‌“O atentado contra Marielle e Anderson representou um dos marcos da decadência civilizatória que tomaria conta do país nos anos seguintes ao crime. O total desrespeito pela vida, a brutalidade tratada como algo natural, a misoginia e o racismo escancaradamente saindo da boca de autoridades, tudo isso se intensificou desde então.” – Silvio Almeida, Ministro dos Direitos Humanos e Cidadania

“Uma política de segurança pública fundada no extermínio de criminosos desumaniza e alicia policiais que, em pouco tempo, transformam-se em soldados do crime. Essa é a receita da criação das milícias. Aconteceu no Rio e parece caminhar para o mesmo lugar em SP e em outros lugares onde a violência policial é a regra.” – Walfrido Warde, Presidente do IREE



Por Juliana Pithon

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