Juros e inflação: Confira os resultados mais recentes da economia – IREE

Análises e Editorial

Juros e inflação: Confira os resultados mais recentes da economia

19 de setembro de 2024

Por Samantha Maia e Juliana Pithon

Chamado de “Super-Quarta” pelo mercado financeiro, o dia de decisões do Federal Reserve, banco central americano, e do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) terminou com redução de juros nos Estados Unidos e aumento da Selic no Brasil.

No dia 18 de setembro, o Copom aumentou a taxa Selic de 10,50% para 10,75% ao ano. É a primeira elevação desde agosto de 2022 e a primeira alta neste mandato do governo Lula. O Comitê citou o risco de pressões inflacionárias por causa do aquecimento da economia brasileira acima do potencial como justificativa. O colegiado também destacou que o ritmo dos futuros ajustes vai depender da dinâmica da inflação, dando ênfase aos componentes mais sensíveis à atividade econômica.

Juros americanos

No mesmo dia, mais cedo, o Fed cortou a taxa de juros em 0,50 ponto percentual, para o intervalo de 4,75% a 5% ao ano. É o primeiro corte desde março de 2020. A decisão decorre da avaliação do Fed de que a inflação dos EUA está no caminho da meta e de que é preciso manter o mercado de trabalho forte no país.

Taxas menores nos EUA tendem a incentivar investimentos em países emergentes, como o Brasil, e pode fortalecer o real, que estava pressionado pela valorização do dólar. O dólar iniciou hoje em queda de mais de 1%, ficando abaixo de R$ 5,40, em reação às decisões sobre juros nos Estados Unidos e no Brasil.

Inflação brasileira

O IPCA teve queda de 0,02% em agosto, primeira taxa negativa do ano e a mais baixa desde junho de 2023. A inflação acumulada no ano é de 2,85%. No mesmo período de 2023, a alta acumulada era de 3,23%. Com o resultado de agosto, a inflação em 12 Meses recuou de 4,50% em julho para 4,24%, abaixo do limite da meta. A meta de inflação do Banco Central para 2024 é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A queda de preços dos grupos de Alimentação e bebidas (-0,44%) e de habitação (-0,51%) influenciou a redução do IPCA em agosto. Outro grupo importante, de transporte, apresentou estabilidade. Houve crescimento do Índice de Difusão, de 46,9% para 56%, o que indica uma maior proporção de bens e atividades que tiveram aumento de preços no período.

Apesar do resultado mais comportado da inflação em agosto, o crescimento do PIB acima do projetado no segundo trimestre, de 1,4%, e o aquecimento do mercado de trabalho brasileiro trouxe incertezas sobre o comportamento futuro da inflação, influenciado a decisão do Copom de elevar a taxa Selic.



Por Samantha Maia

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