Juros, desemprego e inflação: Entenda o cenário econômico – IREE

Análises e Editorial

Juros, desemprego e inflação: Entenda o cenário econômico

1 de agosto de 2024

A quarta-feira, dia 31 de julho de 2014, foi marcada pela manutenção das taxa de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Pela segunda vez seguida, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 10,5% ao ano. A decisão levou em conta “o cenário global incerto e o cenário doméstico marcado por resiliência na atividade, elevação das projeções de inflação”, e deixou abertura para uma possível alta na próxima reunião.

Já nos Estados Unidos, em busca de uma meta inflacionária de 2% ao ano, o Fed manteve a taxa de juros pela oitava vez consecutiva entre 5,25% e 5,50% ao ano. Desde julho de 2023, os juros americanos estão em seu maior nível em 23 anos. Essa política contracionista fortalece o dólar, que acumula alta de 16,52% no ano frente ao real.

Inflação dentro da meta

Apesar da elevação das projeções de inflação do Copom, por enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está dentro da meta para 2024, que é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. No ano, o IPCA acumula alta de 2,48% e no acumulado dos últimos 12 meses, está em 4,23%.

Em julho, a prévia da inflação oficial foi de 0,30%, mais baixa que a de junho (0,39%). O que mais puxou as altas de preços foi a gasolina, que subiu 1,43% em julho e puxou a alta de 1,39% dos combustíveis. As passagens aéreas também pressionaram a inflação de julho, com alta de 19,21%. O grupo de alimentação e bebidas, por sua vez, teve deflação de 0,44%, com queda de preços de itens como a cenoura (-21,60%), o tomate (-17,94%), e a cebola (-7,89%).

Queda do desemprego

O aquecimento do mercado de trabalho foi outro ponto que influenciou a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em patamar elevado. Segundo dados da Pnad Contínua/IBGE, o desemprego no Brasil está em seu menor patamar desde 2014, em 6,9% no 2º trimestre de 2024. O total de desempregados está em 7,5 milhões, menor número desde 2015, e o total de ocupados, em 101,8 milhões, maior número desde o início da série histórica em 2012.

Chama atenção o recorde do número de pessoas ocupadas, que chegou a 101,8 milhões de trabalhadores no 2º trimestre de 2024, um crescimento de 3% no ano, ou 2,9 milhões de pessoas a mais. O número foi puxado pelo número de novos empregados no setor privado (52,2 milhões) no trimestre, dos quais 38,4 milhões com carteira assinada. Os setores que impulsionaram o emprego no 2º trimestre foram comércio, administração pública e atividades de informação e comunicação.

O movimento trouxe também crescimento da renda da população brasileira. O rendimento médio real das pessoas ocupadas foi de R$ 3.214, uma alta de 1,8% no trimestre de maio a junho de 2014 comparado aos três meses anteriores, e de 5,8% na comparação anual. A massa de rendimentos chegou a R$ 322,6 bilhões, um recorde na série histórica.

Cortes no orçamento

Depois de anunciar o congelamento de R$ 15 bilhões no orçamento de 2024 há duas semanas, o governo brasileiro publicou decreto na terça-feira, 30 de julho, que detalha a distribuição dos valores. Os maiores cortes em valores absolutos foram nos ministérios da Saúde, Cidades, Transportes e Educação. A medida busca cumprir a meta de déficit zero este ano e o limite imposto pelo arcabouço fiscal, que prevê que os gastos só podem crescer até 2,5% ao ano, descontada a inflação.



Por Samantha Maia

Leia também