José Dirceu: Reforma tributária seria uma revolução social no Brasil – IREE

Podcast

José Dirceu: Reforma tributária seria uma revolução social no Brasil

Em entrevista ao Podcast Reconversa do dia 9 de abril, o ex-ministro José Dirceu defendeu que uma reforma tributária sobre a renda tem potencial revolucionário no Brasil. Ele falou também sobre a importância da continuidade da frente ampla para o governo Lula e os atuais impasses do capitalismo, entre outros assuntos.

Nascido em Passa Quatro (MG), José Dirceu se mudou para São Paulo em 1961 para trabalhar e estudar Direito. Na faculdade, se envolveu com o movimento estudantil e se engajou na luta contra a ditadura militar. Dirceu participou da fundação do PT, partido pelo qual foi Deputado Estadual, Deputado Federal e Ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República.

Segundo José Dirceu, a concentração de renda é o maior empecilho para o desenvolvimento do país, e mudanças como a reforma dos sistemas  financeiro são essenciais para aliviar a carga de juros e impostos que recai sobre a classe trabalhadora.

“A revolução social no Brasil seria a reforma tributária e a mudança do sistema financeiro. A esquerda tem que mudar isso e aprofundar a democracia do país. Mas o ciclo histórico que estamos vivendo é contrarrevolucionário, de extrema direita, conservador. Está havendo um choque de civilização que encontra uma parcela grande das populações dos países desempregada ou sem esperança no Estado e no futuro”, disse José Dirceu.

O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas agora vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.

Confira a seguir os destaques do episódio!

Crise do capitalismo

José Dirceu destacou que o sistema capitalista se encontra hoje em uma encruzilhada, diante da qual poderá se reinventar, como em outros momentos, ou mergulhará em um estado de barbárie. Segundo ele, políticas neoliberais foram responsáveis por erodir o Estado de bem-estar social e provocar o extremismo.

“O capitalismo se autorreformou em Bretton Woods, com a ONU, o FMI e a Basileia. Na década de 1980, veio a desregulamentação, financeirização, o Estado mínimo e o resultado está aí. Queebraram o Estado de bem-estar social, os Estados Unidos viraram uma potência militar do dólar e da cultura, a classe operária se desorganizou, veio o fascismo, a extrema direita, a xenofobia e as guerras. Então, o capitalismo está num impasse. Ele vai se autorreformar ou vamos para a barbárie?”

Concentração de renda x crescimento econômico

O ex-ministro argumentou que a estagnação econômica do Brasil se deve à dificuldade de acesso ao crédito e à concentração de renda, e criticou a falta de um projeto de nação por parte das elites brasileiras.

“Qualquer pequeno negócio hoje não anda porque não tem crédito, isso tem que acabar. Por que um país que não tem nenhum empecilho para crescer não cresce? Tem país que não tem recursos, população, riqueza, cultura. O Brasil tem tudo isso e não cresce por causa da concentração de renda. As elites brasileiras hoje não têm projeto para o país.”

Frente ampla e governo Lula

José Dirceu defendeu a importância de manter a frente ampla para a continuidade e a estabilidade do governo Lula, e falou sobre as dificuldades da gestão com o Congresso por contar com minoria na Câmara.

“Nós vencemos a eleição porque tivemos capacidade de fazer uma frente ampla, e temos que cuidar dela agora no governo. Tem que manter a frente ampla nas políticas, na comunicação e na ação porque ela é nossa garantia de continuidade. Agora, uma política de distribuição de renda pela reforma tributária e do sistema financeiro precisava de uma maioria parlamentar, e governar o Brasil com a minoria que o Lula tem… se tira os 90 do bolsonarismo, tira os 130 nosso, o Arthur Lira tem 300 votos na Câmara.”

Eleitorado evangélico e políticas sociais

Sobre a relação do governo Lula com a população evangélica, José Dirceu destacou que o foco deve ser as políticas sociais. O ex-ministro também destacou que hoje a agenda identitária, de igualdade racial, de gênero e LGBTQIAPN+, e a questão ambiental não são mais uma pauta exclusiva da esquerda, e sim uma agenda do capitalismo do século 21. Segundo ele, o governo federal deve defender essa agenda, mas sem colocá-la como pauta principal.

“O que não pode é virar a principal pauta do PT e do governo. O governo tem que dar esses direitos para a sociedade, mas ele depende do parlamento. Lula construiu uma base social Lulista e pró-PT com as políticas sociais dele. Por isso que eu acho que não deve discutir a questão religiosa, o que nós precisamos fazer é política com relação à população”, disse ele.



Leia também