19 de novembro de 2024
Em entrevista ao Podcast Reconversa que foi ao ar no dia 19 de novembro, João Fukunaga, presidente da Previ, o fundo de pensão dos trabalhadores do Banco do Brasil, falou sobre sua trajetória profissional, analisou o cenário de investimento e detalhou a gestão da Previ.
João Fukunaga é uma das principais referências de governança corporativa no país, responsável pela gestão de uma carteira de ativos de R$ 300 bilhões na Previ, com 83 mil contribuintes na ativa, o que lhe permite ter assento hoje no conselho de algumas das principais empresas do país.
Com graduação e mestrado em História pela PUC-SP, João Fukunaga começou sua carreira no Banco do Brasil em 2008 em uma agência no centro de São Paulo. Por influência da militância política da época da faculdade, onde fez parte do centro acadêmico e militou pelo PT, em 2012, entrou para a diretoria do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, onde ficou até 2023, quando assumiu a presidência da Previ. No sindicato foi secretário de Assuntos Jurídicos, secretário de Organização e Suporte Administrativo, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) e auditor sindical.
O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.
Confira a seguir os destaques do episódio!
Carteira da Previ
João Fukunaga falou sobre a carteira da Previ, que inclui investimentos em renda fixa e em renda variável. O fundo tem diminuído ao longo do tempo a sua participação em empresas e aumentado o aporte na renda fixa, segundo ele, um movimento normal de um plano maduro. Hoje a Previ é sócia de empresas como a Vale, a concessionária Neoenergia, a fundição Tupi e a BRF.
“Nossa carteira hoje de renda variável está em quase 70 bilhões de reais, é bem expressiva no nosso orçamento. Ela ajuda a pagar os benefícios do ano. No ano passado nós tivemos 14 bilhões de reais de rentabilidade, que a gente não chama de lucro porque reverte para associado. Esse valor nos ajuda a pagar a conta do ano inteiro sem precisar recorrer a nenhum tipo de recurso dos associados”, disse o executivo.
Cenário de investimento no Brasil
Questionado sobre quais as áreas da economia estão dando mais dinheiro para os investidores, o presidente da Previ afirmou que, com a Selic no patamar atual, o retorno da renda fixa está muito vantajoso. Fez a ressalva, porém, de que isso significa prejuízo para o investimento produtivo. Entre as promessas de retorno no mercado, destacou a Vale e empresas de energia renovável.
“Esse ano investimos 12 bilhões em títulos do governo. Com a atual taxa de juros enorme, o fundo de pensão não pode ignorar. Por exemplo, eu tenho títulos do governo pagando seis e oitenta. Meu atuarial é quatro e setenta e cinco, então paga muito mais. Sem risco. Tesouro Direto é um bom investimento, mas a gente tem uma crítica em relação a isso. Uma taxa de juros nesse montante evita que o empresário financie qualquer expansão”, disse João Fukunaga.
Governança das Estatais
João Fukunaga falou sobre como avalia a Lei das Estatais, que sofreu oposição dos sindicatos, e seu impacto sobre a gestão das empresas e os fundos de pensão. Segundo ele, uma boa governança é capaz de proteger um negócio de interferências indevidas, sejam elas políticas ou privadas.
“Não dá para dizer que agente privado não faz participação política. Faz até demais. Inclusive são agentes corruptores, em muitos casos. Os sindicatos foram críticos à Lei das Estatais porque ela não pode limitar a política, e ela faz isso de uma forma errada, demoniza a política. Eu acho que o que garante não haver um processo de interferência direta é uma boa governança. O Banco do Brasil tem uma governança sólida que se reflete no Conselho de Administração, se reflete na diretoria, e isso perpassa também para Previ. Então isso blinda de qualquer coisa”, afirmou o executivo.
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