Inflação de março é a maior desde 1994 e inverte trajetória recente – IREE

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Inflação de março é a maior desde 1994 e inverte trajetória recente

Juliane Furno

Juliane Furno
Economista-Chefe do IREE



A taxa mensal de variação da inflação de março com relação a fevereiro de 2022 ficou em 1,62% e é a maior para o mesmo mês desde os precedentes do Plano Real em 1994. No transcurso mais recente, esse acumulado mensal é maior que qualquer outro da série histórica desde 2003, quando esse mesmo índice chegou à casa dos 2,25%.

A causa não foi muito difícil de prever: Transportes e Alimentos lideram a alta de preços. O primeiro foi decorrente do choque de reajuste dos preços de derivados de petróleo nas portas das refinarias. Somente o óleo diesel teve um reajuste, em uma só vez, de 24%, externando o repasse de preços que tem como motivação tanto a guerra na Ucrânia e as sanções com relação ao petróleo russo, que impactam a oferta do global do produto, mas – sobretudo – a opção feita pela Petrobras desde 2014 de atrelar a precificação domésticas à movimentação dos preços internais somado aos custos de importação.

O aumento no preço dos alimentos têm um conjunto de explicações sazonais, que é comumente presente em um setor que é vulnerável à dinâmica do regime hídrico mas, sobretudo, também decorreu da conjunção dos dois fatores levantados acima: a continuidade da guerra e das sanções afetou o preços das commodities e o custo dos insumos e, soma-se a isso, que o óleo diesel é o motor não somente da agroindustrial mas, sobretudo, da distribuição desses alimentos, já que a cesta básica é transportada de caminhão.

Essa variação mensal interrompe uma trajetória de queda na variação mensal da taxa de inflação que havia começado em outubro de 2021 e apresenta um cenário distinto, em que – dessa vez – a aceleração inflacionária é acompanhada do que foi o principal vilão da subida dos preços desde 2020 que foi a desvalorização cambial.

IPCA março 2022



Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.

Juliane Furno

É Economista-Chefe do IREE. Cientista social, mestre e doutora em Desenvolvimento Econômico no Instituto de Economia da Unicamp. Especialista em mercado de trabalho, desenvolvimento econômico e política industrial no setor de Petróleo e Gás.

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