Inflação, comércio e produção industrial – IREE

Análises e Editorial

Inflação, comércio e produção industrial

16 de abril de 2025

Por Samantha Maia e Juliana Pithon

Os dados mais recentes da economia mostram que a inflação brasileira se mantém acima da meta para o ano, puxada pelos preços dos alimentos. Resultados do comércio e da balança comercial indicam uma atividade forte no Brasil, enquanto a indústria, apesar de um bom resultado em 2024, dá sinais de enfraquecimento.

O IPCA, índice oficial de inflação no Brasil, subiu 0,56% em março, maior taxa para o mês desde 2023 (0,71%), apesar de ter desacelerado em relação à alta de 1,31% em fevereiro. Com isso, o acumulado em 12 meses chegou a 5,48%, acima do teto da meta, de 4,5%. O grupo Alimentos e Bebidas representou quase metade (45%) de toda a inflação de março, e apenas três itens responderam por 25% da taxa, todos por problemas de oferta: tomate (22,55%), café (8,14%) e ovo de galinha (13,13%).

Já a inflação de itens monitorados desacelerou de 3,16% em fevereiro para 0,18% em março, influenciada pelos preços da energia elétrica e da gasolina. A energia elétrica subiu 0,12% em março, ante 16,80% em fevereiro (impacto do bônus de Itaipu), e o preço da gasolina desacelerou de uma alta de 2,78% em fevereiro para 0,51% em março.

Comércio forte e superávit na balança comercial

As vendas no comércio cresceram 0,5% em fevereiro sobre janeiro, puxadas pelo setor de hiper e supermercados, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. Com isso, as vendas atingiram o maior patamar da série histórica iniciada em janeiro de 2000 e ficaram 9,1% acima do nível pré-pandemia. Em 2024, as redes de supermercados no Brasil faturaram R$ 1,067 trilhão, o equivalente a 9,12% do PIB do país, segundo o Ranking da Abras.

O comércio exterior também tem apresentado bons resultados neste ano. O superávit da balança comercial brasileira já soma US$ 13,17 bilhões em 2025, US$ 3,19 bilhões apenas em abril, desempenho impulsionado pelos embarques da agropecuária (8,3%) e da indústria de transformação (7,5%), segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic).

Desempenho da indústria 

O Brasil subiu da 45ª para a 25ª posição em ranking global de desempenho da indústria de transformação em 2024, segundo estudo do Iedi, com dados da Unido (Agência da ONU para promoção do desenvolvimento industrial). O estudo mostra que a indústria brasileira teve um crescimento de 3,2% em 2024, acima da média mundial (2,3%).

Dados do IBGE mostram que a produção industrial brasileira fechou 2024 com crescimento de 3,1%, terceiro maior aumento dos últimos 15 anos. Apesar disso, o setor está há cinco meses sem crescer, com perda acumulada de 1,3%. Em fevereiro, a queda foi de 0,1% sobre janeiro. Já em relação a fevereiro de 2024, houve alta de 1,5%, e em 12 meses, a produção acumula crescimento de 2,6%.



Por Samantha Maia

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