Inflação, Balança Comercial e Serviços – IREE

Análises e Editorial

Inflação, Balança Comercial e Serviços

16 de janeiro de 2025

O crescimento no setor de serviços e o superávit expressivo na balança comercial reforçam o aquecimento da atividade econômica brasileira em 2024. Já a Inflação fechou acima da meta, reflexo da economia aquecida, da desvalorização cambial e de eventos climáticos extremos.

Serviços

Com alta projetada de 2,9%, o setor de serviços vai fechar 2024 com o quarto ano consecutivo de crescimento, segundo IBGE. Em novembro, o segmento teve queda de 0,9%, o que reflete uma base de comparação elevada, pois o setor tinha alcançado o ponto mais alto da série em outubro, mas também indica um começo de desaceleração da atividade.

Superávit da Balança comercial

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em 2024, a balança comercial brasileira teve superávit de US$ 74,6 bilhões, o segundo maior da série histórica, atrás apenas de 2023. As exportações totalizaram US$ 337 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 262,5 bilhões. Um dos destaques foi o recorde de exportação de US$ 181,9 bilhões na indústria de transformação, maior valor desde 1997.

As exportações mantiveram a força no começo de 2025, com um superávit de US$ 1,33 bilhão na balança comercial brasileira nas duas primeiras semanas de janeiro. A média diária de exportações subiu 10,5% em relação ao mesmo período de janeiro de 2024, chegando a US$ 1,34 bilhão por dia útil, novamente sustentada pela indústria de transformação.

Inflação acima da meta

O IPCA fechou 2024 com elevação de 4,83%, acima do teto da meta de 4,5%. O resultado reflete principalmente a alta do dólar (de 27% no ano) e dos preços de alimentos impactados pelas condições climáticas adversas. Para 2025, o último Boletim Focus, de 13 de janeiro, aumentou a projeção de inflação para 5%.

Justificativas do Banco Central para a inflação acima da meta

– Ritmo forte de crescimento da atividade econômica
Projeção de crescimento de 3,5% em 2024 e mercado de trabalho aquecido 

– Depreciação cambial
Relevante influência da frustração de investidores com o cenário fiscal do Brasil

– Desastres climáticos
A seca que atingiu parte do país pressionou os preços de alimentação, em especial, de carnes e leite, e de produtos como café e laranja

O que mais pesou no bolso do brasileiro em 2024?

Café moído: +39,6%
Contrafilé: +20,06%
Leite longa vida: +18,83%
Gasolina: +9,71%
Ensino fundamental: +8,86%
Serviço bancário: +8,03%
Plano de saúde: +7,87%
Lanche: +7,56%
Condomínio: +6,25%
Refeição: +5,7%

Perspectivas para 2025

Dados das safras indicam que deve haver alívio nos preços dos alimentos em 2025. Segundo a Conab, há uma estimativa de estoques maiores nos produtos básicos como arroz, feijão, trigo e milho. O arroz, por exemplo, deve finalizar a safra 2024/25 com o maior estoque em quatro anos. No caso do café, as projeções para 2025 ainda são de uma safra menor que o potencial, o que deve continuar pressionando os preços.



Por Samantha Maia

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