Indicadores econômicos e desafios na gestão orçamentária – IREE

Análises e Editorial

Indicadores econômicos e desafios na gestão orçamentária

Por Samantha Maia e Juliana Pithon

A economia brasileira está enfrentando um cenário desafiador diante das preocupações fiscais que exigem atenção e medidas do governo. Confira os principais indicadores e movimentos recentes:

Juros

O Copom manteve a Selic em 10,50% ao ano na reunião do dia 19 de junho. O Banco Central interrompeu, assim, uma sequência de cortes iniciada há quase 1 ano e projetou estabilidade da taxa até o final de 2024. Por trás da decisão do Comitê estão fatores como:

‌- A manutenção da taxa de juros do EUA em níveis elevados, que tem fortalecido o dólar e reduzido a atratividade de países emergentes;
– A elevação das expectativas de inflação brasileira para 2024 e 2025;
– Incertezas sobre o cenário fiscal do Brasil.

Dólar em alta e Ibovespa em queda

O dólar fechou a R$ 5,46 no dia 20 de junho, maior valor desde julho de 2022, quando chegou R$ 5,49. ‌Segundo a Austin Rating, a moeda americana acumula alta de quase 12% no ano sobre o real, que está entre as cinco moedas que mais perderam valor frente ao dólar em 2024. Ao todo, 75 moedas perderam valor diante do dólar em 2024.

Os efeitos dos juros altos nos EUA e das incertezas sobre o cenário fiscal brasileiro também são sentidos na Bolsa de Valores. O Ibovespa, principal índice da bolsa, acumula queda de mais de 10% em 2024.

Inflação

‌O IPCA subiu para 0,46% em maio, uma aceleração em relação à alta de 0,38% em abril. O resultado foi puxado principalmente pelos preços dos alimentos, já sob influência da tragédia no Rio Grande do Sul. No ano, a inflação acumulada é de 2,27% e, nos últimos 12 meses, de 3,93%, ainda dentro da meta do governo.

Dívida Pública

‌As contas do setor público tiveram superávit de R$ 6,7 bilhões em abril, o segundo saldo positivo seguido. Mesmo assim, a dívida pública subiu para 76% do PIB em abril (R$ 8,4 trilhões), o maior patamar em dois anos. Segundo o BC, o crescimento da dívida em abril está relacionado com as despesas com juros e a desvalorização do real frente ao dólar.

Pressão Fiscal

‌Após a derrota da medida provisória dos créditos do PIS/Cofins no Senado, aumentou a pressão do Congresso e de agentes do mercado para que o governo recorra ao corte de gastos. Segundo a Fazenda, o governo não tem plano B para compensar a perda de receitas com a desoneração da folha de pagamentos.

Para conseguir seguir as regras do novo arcabouço fiscal e zerar o déficit em 2024, o governo busca alternativas para cortar gastos. Dentre as saídas estão medidas sensíveis à sociedade, como a flexibilização do piso constitucional de gastos com saúde e educação e a desvinculação de parte dos benefícios do INSS em relação ao salário mínimo.



Por Samantha Maia

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