26 de agosto de 2024
Por Samantha Maia e Juliana Pithon
Os principais biomas brasileiros bateram recordes em número de queimadas no primeiro semestre de 2024, exceto o Pampa, afetado pelas chuvas que causaram enchentes no Rio Grande do Sul. No Pantanal e no Cerrado, foram registrados o maior número de focos de incêndio desde 1998, e na Amazônia, a quantidade de focos é a maior dos últimos 20 anos.
Mais recentemente, uma onda de incêndios atingiu o interior de São Paulo e deixou 48 cidades em estado de alerta, sendo Ribeirão Preto a mais afetada. A situação se agravou na última sexta-feira (23), quando foram registrados 1.886 focos, mais dos que os 1.666 registrados durante todo o ano passado. Duas pessoas morreram e mais de 800 tiveram que deixar suas casas desde que o fogo começou. Autoridades estaduais e federais suspeitam que os incêndios estão sendo provocados por criminosos. A possibilidade de ser uma ação organizada está sob investigação.
Confira a situação dos principais biomas:
Amazônia
Apesar do desmatamento na Amazônia ter caído nos últimos dois anos, a região passa por uma temporada recorde de queimadas, e a fumaça afeta ao menos 10 estados. Nos primeiros seis meses de 2024, a Amazônia registrou 13.489 focos de incêndio, 61% mais que no ano anterior, e o maior número em 20 anos.
Pantanal
O Pantanal atingiu em 2024 o maior número de focos de incêndio da série histórica do INPE, iniciada em 1998. Calcula-se que foram devastadas quase 9% de sua área total. De janeiro até 6 de agosto de 2024, foram registrados 6.655 focos de incêndio no bioma, um aumento de 1.973% em relação ao mesmo período de 2023.
Cerrado
O Cerrado teve um aumento de 9% no desmatamento em 2024, totalizando 7.015 km², o maior índice desde 2017. No 1º semestre deste ano, 53,3% das queimadas registradas no bioma ocorreram na principal fronteira de expansão agrícola do país, entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Causas
As razões para o crescimento dos incêndios incluem efeitos das mudanças climáticas e consequências de ações humanas. O aquecimento global, somado ao efeito do El Niño, agravou o período de seca nos principais biomas brasileiros, o que cria condições mais propícias para os incêndios.
Por outro lado, o manejo de fogo para desmatamento de áreas para a expansão da agropecuária, somado ao período de seca, aumenta a perda de controle sobre as queimadas. As queimadas no Pantanal também estão associadas à ação humana no Cerrado, já que os biomas estão interconectados. O desmatamento no Cerrado, onde estão as cabeceiras dos rios que abastecem o Planalto, contribui para a seca extrema no Pantanal.
Por Samantha Maia
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