Importância da 1ª Conferência Nacional da Engenharia para a Nova Indústria Brasil – IREE

Análises e Editorial

Importância da 1ª Conferência Nacional da Engenharia para a Nova Indústria Brasil

22 de julho de 2026

Marcos Rehder Batista*

Neste mês de julho estão sendo articulados os últimos ajustes para a preparação da 1.ª Conferência Nacional da Engenharia, marcada para os dias 16, 17 e 18 de novembro, em São Paulo. É uma ação do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte – MEMP, resultado de um processo de anos empreendido pelo movimento Engenharia pela Democracia e pelo Fórum da Engenharia Nacional, criado no ano passado e presidido por Allen Habert, engenheiro de produção que atua na relação entre o universo da engenharia e a Esfera Pública desde a Constituinte de 1988, época em que era presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo. Por se tratar de um universo profissional focado em extrair da pesquisa científica a otimização de soluções para dilemas concretos, em vários setores produtivos, a consolidação desta agenda pode resolver um dos principais gargalos para a neoindustrialização, objetivo central da Nova Indústria Brasil – NIB, atual política produtiva do Governo Federal.

 

 

O gigante leque de profissionais, reunidos no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – CONFEA, abrange todas as engenharias, bacharéis em Geografia, Geologia, Meteorologia e Arquitetura, ou seja, responsáveis pelo planejamento e pela execução de todas as plantas produtivas de nossa economia. Logo, para que os incentivos hoje dados para a neoindustrialização — que consiste em uma “reindustrialização” dentro dos princípios do Desenvolvimento Sustentável — atinjam os resultados esperados, a articulação dessas áreas será um fator determinante. É importante que os debates e consensos a serem construídos na “Conferência” estejam conectados com os seis eixos da NIB — agroindústria, saúde, infraestrutura, transformação digital, bioeconomia e defesa —, o que também vem sendo debatido entre os realizadores.

O Engenharia pela Democracia – EngD, atualmente presidido por Paulo Roberto Massoca, foi criado em 2021, quando várias entidades se manifestavam em defesa da Democracia, da gestão transparente e responsável no combate à pandemia de Covid-19, da busca de alternativas frente ao desemprego e contra o descaso com a preservação dos biomas brasileiros. A partir da série de ações que realizou, surgiu o Fórum da Engenharia Nacional, onde, em 2025, defendeu-se a realização da “1.ª Conferência”. Este processo mobilizou dezenas de entidades representativas, entre CREAs e associações profissionais independentes, promovendo debates que originaram uma vasta e objetiva agenda voltada para o desenvolvimento do país e a interlocução com ministérios e secretarias estaduais.

No último dia 8 de julho aconteceu uma reunião definitiva no MEMP, onde foi ratificado o apoio do ministério à conferência, além de serem definidos a data, em novembro deste ano, e os detalhes da portaria de convocação e dos nomes que irão compor a Comissão Organizadora Nacional. Também foi articulado o apoio da Secretaria-Executiva da Casa Civil, do MEC, MTE, MDIC, MCTI e MME, cujas anuências já estão com as tratativas adiantadas. Conta-se, ainda, com o apoio da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação de São Paulo, e a conferência deverá ser realizada no Centro de Difusão Internacional da USP (CDI-USP).

A primeira reunião da comissão organizadora, já instituída, acontecerá no próximo dia 24 de julho, na sede do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, da qual sairão as primeiras deliberações oficiais para a realização do evento em novembro. As pré-inscrições também já podem ser feitas no formulário disponibilizado pelo EngD, por meio do qual serão enviadas informações sobre sua organização.

Considerando que a agenda compartilhada pelos engenheiros do país consiste em um dos fatores determinantes para o sucesso da NIB, para o urgente salto tecnológico e produtivo e para que este seja capaz de nos reposicionar numa trajetória que concilie competitividade e sustentabilidade, fica evidente a importância da articulação aqui introduzida. Esta pauta, alinhada aos eixos de nosso plano de neoindustrialização, pode otimizar objetivos e integrar atores em um Projeto Nacional de Desenvolvimento renovado, pois trata-se de um projeto que se fortalece ao atrair o engajamento dos que podem trazer soluções, e esta mobilização só mostra o quanto isso está acontecendo.

* Marcos Rehder Batista, sociólogo, pesquisador do CEAPG (EAESP–FGV) e do CPTEn (FEEC–Unicamp).



Por IREE

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