11 de outubro de 2024
Por Samantha Maia e Juliana Pithon
No contexto de combate às mudanças climáticas, o hidrogênio verde ganha cada vez mais espaço nos debates, pesquisas e investimentos como promessa de substituição das fontes fósseis de energia. O hidrogênio é um gás que se diferencia por não emitir CO2 em sua combustão, apenas vapor de água, e o carimbo “verde” deriva da forma como ele é produzido, a partir da eletrólise da água (quebra da molécula em hidrogênio e oxigênio) com uso de energia elétrica gerada por fontes renováveis como eólica e solar.
Dentre os usos potenciais para o hidrogênio verde estão atividades industriais que demandam muita energia, como refinação e siderurgia, veículos pesados, como ônibus e caminhões, setores marítimo e de aviação e o armazenamento de energia gerada por fontes intermitentes, como solar e eólica.
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Apesar do ganho ambiental, viabilizar a produção e o uso do hidrogênio verde em larga escala global exige superar desafios que envolvem custo e demanda. O valor de produção deste gás varia até US$ 6 o quilo, contra cerca de US$ 2 o quilo do hidrogênio cinza, produzido a partir de combustíveis fósseis. Além disso, seu armazenamento e transporte exige um ambiente de baixíssima temperatura (em torno de -270ºC) e alta pressão, o que torna a logística complexa e cara. Por fim, ainda se trata de um mercado com baixa demanda industrial, na medida em que muitas empresas precisam investir em novos equipamentos para se adaptar ao seu uso.
Hidrogênio verde no mundo
O Japão, 1º país a traçar uma estratégia para a transição energética com o gás, em 2017, tem o objetivo de se tornar autossuficiente em hidrogênio verde até 2050. Já a Alemanha projeta que até 2030 as fontes limpas deverão ser responsáveis por 80% da energia do país, com papel relevante do hidrogênio verde, A União Europeia planeja, até 2030, importar mais de 10 milhões de toneladas de hidrogênio verde e produzir outras 10 milhões de toneladas.
A China está à frente na construção de usinas e na competitividade de produção de eletrolisadores. O país está construindo a sua maior usina de hidrogênio verde, com capacidade de gerar 30 mil toneladas do gás por ano, e a sua meta é chegar a uma produção de 100 mil a 200 mil toneladas por ano até 2025.
Os EUA, por sua vez, são grandes produtores de hidrogênio a partir de combustíveis fósseis e pretendem produzir 10 milhões de toneladas de hidrogênio “limpo” por ano até 2030. Apenas ¼ desse montante seria verde, e o restante com tecnologias controversas que prometem capturar as emissões de carbono.
Apesar do potencial de geração de energia limpa na América Latina, a maioria dos projetos de hidrogênio verde na região está em estágios iniciais de desenvolvimento. A Colômbia tem cerca de 28 projetos, um deles em escala industrial na refinaria da estatal Ecopetrol em Cartagena, com entrada em operação prevista para 2026. No Chile, US$ 5 bilhões devem ser investidos até 2025 em 67 projetos industriais, dos quais 8 usinas estão em andamento como pilotos.
O hidrogênio verde no Brasil
Devido às condições climáticas favoráveis e uma matriz elétrica 80% renovável, o Brasil ocupa uma posição competitiva no debate global sobre hidrogênio verde. Em agosto deste ano, foi sancionada a Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (Lei 14.948), que regulamenta a produção do gás e institui incentivos à indústria. O marco regulatório deve dar maior força aos investimentos no país.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), há R$ 188,7 bilhões em investimentos anunciados para mais de 20 projetos de hidrogênio verde no Brasil. O porto de Pecém (CE) se destaca pelo maior volume de investimentos anunciados para se tornar um hub de produção e exportação de hidrogênio de baixo carbono (incluindo o gerado a partir do etanol), cerca de R$ 110,6 bilhões. Já o Polo Industrial de Camaçari, na Bahia, investe US$ 120 milhões em uma fábrica de hidrogênio verde em escala industrial, da Unigel, voltada para o mercado interno.
Diversas parcerias têm sido fechadas para viabilizar pesquisa e desenvolvimento. Em fevereiro de 2024, a Petrobras assinou um Termo de Cooperação com o Instituto Senai de Energias Renováveis (ISI-ER) para a construção de uma planta piloto de eletrólise para estudo da cadeia de hidrogênio sustentável no Rio Grande do Norte. Em agosto de 2023, a Coppe/UFRJ inaugurou uma planta piloto de produção de hidrogênio verde utilizando energia solar para eletrólise da água, projeto financiado pela Cooperação Brasil-Alemanha.
Por Samantha Maia
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