22 de outubro de 2024
Em entrevista ao Podcast Reconversa do dia 22 de outubro, a Deputada Federal Gleisi Hoffmann falou sobre os desafios eleitorais e o futuro do PT, sigla que preside desde 2017, e analisou as mudanças pelas quais o Brasil passa.
Gleisi Hoffmann conta como começou a se interessar por política por meio da religião católica e, depois, no movimento estudantil. Foi diretora da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) e da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas em Curitiba. Iniciou sua trajetória política no PCdoB e, em 1989, filiou-se ao PT.
Formada em Direito, Gleisi Hoffmann foi eleita senadora pelo Paraná em 2010 e reeleita deputada federal em 2022. Foi Ministra-Chefe da Casa Civil no primeiro Governo de Dilma Rousseff, entre 2011 e 2014.
Ao analisar o desempenho do PT nas eleições municipais deste ano, a deputada falou sobre o movimento de reorganização da legenda desde o impacto do impeachment de Dilma e da Lava Jato, e destacou a importância da construção de alianças no pleito atual de olho na disputa de 2026.
“Historicamente, o centro e a direita sempre ganharam as eleições locais. Se você pegar na história, a esquerda nunca teve maioria. Claro que nós tivemos vitórias importantes, governamos em São Paulo por várias vezes, Belo Horizonte, mas em termos de números de prefeituras, não. A eleição municipal de 2020 foi muito difícil, ninguém queria fazer aliança com a gente. Nós nunca tivemos uma grande expectativa em relação a esta eleição municipal, a gente sempre foi muito pé no chão. Você não limpa as coisas assim num curto espaço de tempo. Para você manchar a imagem é facílimo, agora para você recuperar é muito difícil.”
O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas agora vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.
Confira a seguir os destaques do episódio!
O PT para além de Lula
Questionada sobre a existência de líderes para além do presidente Lula, a presidenta do PT mencionou o crescimento de lideranças regionais, como Camilo Santana, Rui Costa e Wellington Dias, que têm se destacado no governo, mas admitiu que formar uma nova liderança nacional comparável a Lula é um processo demorado e complexo.
“Uma liderança como Lula não nasce por vontade da gente, ela é forjada na luta, é difícil. Nós vamos levar muito tempo para ter uma outra figura como ele. Nós trabalhamos com a hipótese do Lula ser nosso candidato em 2026. Acho que não tem outra pessoa hoje que possa fazer essa disputa, mas nós temos que construir caminhos até lá para ter as substituições.”
Gleisi falou sobre o papel de Lula como uma liderança influente dentro do PT e sua atuação para compor e agregar. “Lula tem uma autoridade muito grande e sempre me deu muito respaldo, mas não é ele quem impõe decisões. Não é o Lula dizer: “fulano você vai ser isso”. Isso tem um debate, tem uma discussão e ele muitas vezes recua.”
O PT e o Nordeste
Assim que passar o segundo turno da eleição municipal, o PT focará em sua eleição interna para definir que sucederá Gleisi Hoffmann em 2025. Questionada se não seria importante o PT ter uma direção nordestina, diante da relevância eleitoral da região para o partido, a deputada disse considerar a demanda legítima, mas defendeu a necessidade de uma candidatura unificada, voltada para os novos desafios políticos do país.
“Obviamente há uma pretensão do Nordeste pelos resultados eleitorais, pelo crescimento, pela identificação com o partido, eu acho legítimo isso. Mas eu acho que a gente tem que construir uma candidatura de unidade dentro do PT, que dê conta desses novos desafios, é uma outra fase.”
Leia também
Quais as propostas dos candidatos para o salário mínimo?
Continue lendo...
PL, MP e PEC : três formas de mudar as leis do país
Continue lendo...