20 de maio de 2026
A economia brasileira continua crescendo em 2026, com avanço do emprego e da renda, mas a inflação segue como um dos principais desafios, principalmente com a guerra no Oriente Médio, que tem elevado o preço do petróleo. O cenário atual combina atividade aquecida, mercado de trabalho forte e aumento da renda com juros elevados e crescimento do endividamento das famílias. Neste Giro de Economia, confira o que os indicadores mais recentes revelam sobre a conjuntura econômica.
Inflação pressionada, crescimento resiliente
No Boletim Macrofiscal de maio, o Ministério da Fazenda elevou a projeção do IPCA para 2026 de 3,7% para 4,5%, citando a deterioração do cenário externo e a alta do petróleo como principais fatores de pressão. A inflação acumulada em 12 meses está em 4,39%. Apesar da desaceleração registrada em abril, os preços de alimentos e saúde continuam pressionando o índice.
Já para a atividade econômica, a Fazenda manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,3% para 2026. O IBC-Br, indicador do Banco Central considerado uma prévia do PIB, apontou crescimento de 1,3% no primeiro trimestre do ano. Todos os grandes setores da economia registraram desempenho positivo no período: Indústria (1,3%); Agropecuária (1%); Serviços (+1%).
Mercado de trabalho segue forte
O mercado de trabalho continua sendo um dos principais pilares da economia brasileira em 2026. A taxa de desemprego subiu de 5,1% no último trimestre de 2025 para 6,1% no primeiro trimestre de 2026, em um movimento considerado sazonal para o início do ano. Mesmo assim, foi a menor taxa para esse período desde o início da série histórica, em 2012.
O rendimento médio real habitual atingiu R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026 — o maior valor da série histórica — com alta de 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço da renda ajuda a sustentar o consumo das famílias e mantém a atividade econômica aquecida, mas também pode dificultar um recuo mais acelerado da inflação.
Juros seguem elevados
Com a inflação ainda pressionada, o Banco Central mantém a Selic em patamar elevado, atualmente em 14,5% ao ano, embora já tenha iniciado um ciclo gradual de redução dos juros. A estratégia é desacelerar a demanda da economia e conter a alta dos preços. Juros altos encarecem o crédito e seguram o consumo, funcionando como principal instrumento de controle da inflação.
As projeções do Boletim Focus divulgado no dia 18 de maio indicam expectativa de queda gradual da Selic ao longo de 2026, mas ainda em nível elevado:
Selic: 13,25%
IPCA: 4,92%
PIB: 1,85%
Dólar: R$ 5,27
Endividamento bate novo recorde
O cenário de juros elevados também impacta diretamente o crédito e o orçamento dos brasileiros. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o endividamento das famílias atingiu 80,9% em abril, o maior nível da série histórica.
Para tentar reduzir a inadimplência, o governo lançou em maio uma nova fase do Desenrola, programa de renegociação de dívidas voltado a pessoas com renda de até R$ 8.105. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, até o dia 11 de maio, R$ 1 bilhão em dívidas já foram renegociadas, 200 mil pedidos foram enviados e 100 mil operações estão em andamento.
Até o próximo Giro de Economia!
Por IREE
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