G20 no Brasil: Contexto e principais debates – IREE

Análises e Editorial

G20 no Brasil: Contexto e principais debates

Nesta quarta (21 de fevereiro) e quinta (22) acontecem no Rio de Janeiro as primeiras reuniões do G20 sob a presidência brasileira. O encontro entre os chefes das diplomacias das maiores economias do mundo será presidido pelo Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.

É a primeira vez que o Brasil ocupa a presidência do G20, grupo que se define como o principal fórum de cooperação econômica internacional, formado por 19 países e dois grupos regionais: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos, União Europeia e União Africana.

Os países que integram o G20 representam cerca de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, mais de 75% do comércio e cerca de dois terços da população do planeta.

A presidência brasileira no bloco vai de dezembro de 2023 a novembro de 2024, quando será assumida pela África do Sul. Serão 130 reuniões preparatórias para a Cúpula dos Chefes de Estado, a ser realizada em novembro deste ano, também no Rio de Janeiro.

Os próximos encontros ministeriais ocorrerão em São Paulo nos dias 28 e 29 de fevereiro com ministros da Fazenda e presidentes dos Bancos Centrais dos países-membros. Outras 12 cidades nas cinco regiões do país também irão sediar encontros do G20: Manaus, Belém, São Luís, Teresina, Fortaleza, Recife, Maceió, Salvador, Cuiabá, Belo Horizonte, Foz do Iguaçu e Porto Alegre. A descentralização das atividades é uma inovação da gestão brasileira, que busca fomentar o turismo e atrair investimentos para as localidades.

Presidir o G20 é uma oportunidade para o Brasil pautar o debate internacional ao definir a agenda do grupo no período. As propostas brasileiras estão baseadas em três pilares: combate à fome, desenvolvimento sustentável e reforma da governança global.

A presidência brasileira no G20 coincide com um momento de enfraquecimento da ONU, ocorrência de graves guerras no mundo e busca de espaço de influência pelos países em desenvolvimento. A reforma da governança global é uma prioridade na discussão do G20 este ano diante da falência de organismos multilaterais, como a ONU, na solução de conflitos como entre Rússia e Ucrânia, e Israel e Hamas.

A reforma da governança global proposta pelo Brasil abrange a ampliação do Conselho de Segurança da ONU e a redução das exigências dos organismos multilaterais de crédito (FMI, Banco Mundial) para emprestar recursos a nações em desenvolvimento.



Por Samantha Maia

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