24 de janeiro de 2025
Por Samantha Maia e Juliana Pithon
O Fórum Econômico Mundial de 2025, realizado de 20 a 24 de janeiro em Davos, na Suíça, teve como tema central a “Colaboração para a Era Inteligente”. O evento, que reúne anualmente a elite da economia global, debateu os desafios do crescimento diante de um cenário de incerteza geoeconômica, tensões comerciais e ansiedade climática.
Os temas dos debates em Davos se concentraram em cinco eixos principais: enfrentamento às mudanças climáticas; regulação da inteligência artificial; fontes alternativas de crescimento econômico; desenvolvimento do capital humano; e reconstrução da confiança global.
A participação presidente recém-empossado dos EUA, Donald Trump, foi o centro das atenções. Em discurso por videoconferência no dia 23 de janeiro, ele reforçou sua política protecionista, mas adiou o anúncio de um “tarifaço”, o que acalmou investidores e levou a uma queda global do dólar. Trump também ameaçou aplicar tarifas para empresas que não produzirem nos EUA, criticou a União Europeia por barreiras comerciais e regulamentação das big techs e cobrou da OPEP a redução do preço do petróleo.
O presidente da Argentina, Javier Milei, foi outro destaque em Davos, visto com bons olhos pelo mercado por conta do ajuste fiscal de seu governo. Em seu discurso, atacou temas importantes aos direitos humanos e ao ambientalismo, e exaltou a aliança com líderes da direita global como Trump, Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália, Nayib Bukele, presidente de El Salvador, Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, e Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel. Milei também afirmou que quer negociar um acordo com os EUA fora do Mercosul, sem perder aliança com o bloco.
Participação mais discreta do Brasil
Com a menor delegação governamental em anos, o país estreou a Brazil House em Davos, um espaço para atrair investidores, com a participação de grandes empresas como Vale, Gerdau, Ambipar, Be8, JHSF e BTG Pactual. A representação oficial do Brasil contou com o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, e o governador do Pará, Helder Barbalho.
A principal estratégia do governo brasileiro em Davos foi se colocar como liderança na transição energética global e buscar por investimentos em energia limpa. O Ministro Alexandre Silveira defendeu haver um ambiente favorável para aplicação de recursos em energia renovável no Brasil a partir dos marcos legais aprovados, como as leis do Hidrogênio, das Eólicas offshore e do Combustível do Futuro.
Mensagem do Papa
O desenvolvimento da inteligência artificial, um dos temas debatidos em Davos este ano, também foi objeto de atenção da Igreja Católica. Em mensagem aos líderes políticos, econômicos e empresariais do Fórum Econômico Mundial, o Papa Francisco pediu uma supervisão rigorosa do desenvolvimento da IA, alertando para o risco de uma “crise da verdade”. O pontífice elogiou as habilidades da tecnologia, mas destacou “preocupações críticas” sobre seu impacto na humanidade.
Por Samantha Maia
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