Felipe Nunes: Nova polarização é afetiva e gera mais intolerância – IREE

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Felipe Nunes: Nova polarização é afetiva e gera mais intolerância

Em entrevista ao Podcast Reconversa do dia 6 de fevereiro, o Diretor da Quaest Felipe Nunes falou sobre o papel das pesquisas como ferramenta de compreensão da realidade e discutiu o conceito de polarização afetiva.

Felipe Nunes é Ph.D. em Ciência Política e mestre em Estatística pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Em 2014, começou a trabalhar com campanhas eleitorais e em 2017, fundou a Quaest Pesquisa e Consultoria. Atualmente é professor de Comunicação Política, Eleições e Metodologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Felipe Nunes falou sobre a parceria com o Genial Investimentos para a realização de pesquisas eleitorais, e defendeu a importância da divulgação das fontes de financiamento desse tipo trabalho para garantir a confiança do público nos dados apresentados.

“É muito mais transparente que eu diga para a população em geral quem está contratando uma pesquisa, do que sair fazendo pesquisa sem financiamento. Nós vimos durante a eleição, instituições financeiras cancelando contratos de pesquisa quando os resultados não agradaram o cliente.”

O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.

Confira a seguir os destaques do episódio!

O fator decisivo da abstenção nas eleições de 2022

Felipe Nunes falou sobre com as pesquisas permitiram perceber que a abstenção foi a variável decisiva para que Lula da Silva não vencesse no primeiro turnos das eleições de 2022. Segundo ele, essa leitura foi determinante para direcionar as campanhas políticas no segundo turno, com maior empenho dos petistas em incentivar a ida às urnas, e esforço de Bolsonaro em desmobilizar a votação. 

“O que a gente foi descobrir é que havia um eleitorado que dizia que ia votar no Lula, mas que no dia da eleição não foi votar. Justamente porque os Institutos de Pesquisa foram capazes de mostrar isso, que houve uma leitura política. É impossível imaginar a possibilidade do Presidente não estar sendo orientado por meio de pesquisa quando há uma orientação política de tentar dificultar o processo de votação eleitoral.”

O papel da pesquisa para a compreensão do cenário eleitoral

Para Nunes, as pesquisas representam uma ferramenta essencial para compreender a dinâmica social e política em constante mudança. As pesquisas são, dessa forma, instrumentos valiosos para capturar nuances e tendências da sociedade, proporcionando insights cruciais para os tomadores de decisão na política.

“As pesquisas, mais do que mostrar quem tem mais ou menos chance de vencer uma eleição, elas tem que ser bons diagnósticos da realidade do Brasil e do mundo para que os tomadores de decisão sejam capazes de entregar mais qualidade de vida e políticas públicas que atendam aos desafios que as pessoas têm.”

Polarização afetiva e o abismo da sociedade

O professor da UFMG aborda o conceito de polarização afetiva na psicologia política, destacando como a “dissonância cognitiva” influencia a percepção da realidade de acordo com os filtros ideológicos.

“Chamamos essa nova polarização de polarização afetiva porque não é mais uma polarização que eu olho para o outro como adversário, eu olho como inimigo. Ele é alguém que eu não tolero conviver, é alguém que pensa tão diferente sobre como criar filho, como a sociedade deve se organizar, sobre o papel que o Estado deve desempenhar nas questões privadas, que eu não dou conta de lidar com aquela pessoa.”

Segundo ele, esse fenômeno é perigoso porque dificulta o diálogo e a convivência entre diferentes grupos sociais, contribuindo para a fragmentação e a tensão social. “Polarização afetiva gera como consequência atitudes mais violentas, mais autoritarismo e intolerância. Exatamente o inverso do que se espera em uma democracia plural.”

Veja a entrevista completa!



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