Fabya Reis: Do 1º emprego no MST ao pós-doutorado em liberdade – IREE

Conteúdo

Fabya Reis: Do 1º emprego no MST ao pós-doutorado em liberdade

16 de julho de 2024

Em entrevista ao Podcast Reconversa do dia 16 de julho, a socióloga Fabya Reis falou sobre sua trajetória na política desde o MST, racismo estrutural no Brasil, letramento racial, a importância dos movimentos negro e feminista e os desafios da Bahia como, por exemplo, a segurança pública.

Nascida em Itamaraju, na Bahia, Fabya Reis dos Santos começou a militância aos 17 anos no Movimento Sem Terra (MST). Ao longo da sua trajetória, foi Chefe de Gabinete da Secretaria de Políticas para Mulheres da Bahia, Secretária de Igualdade Racial e Secretária de Assistência e Desenvolvimento Social.

Quanto mais espaço de poder, menos presença de pessoas negras

Fabya abordou a compreensão do racismo estrutural no Brasil, que produz desigualdades e violências, e destacou a importância do movimento negro e da consciência racial para combater esses processos históricos e sociais.

“Nós temos uma forma de racismo à brasileira, que leva muitas pessoas negras a desejarem parecer a imagem que sofrerá menos preconceito, mas muitas dessas operações mentais vêm de um processo de negação porque é muito violento você ser o que é o pobre, o que não é reconhecido, o que não tem oportunidade, porque historicamente foram esses lugares que foram colocados, e até hoje, a gente entende na estruturação do racismo no Brasil quando a gente olha as estatísticas todas. Quanto mais você tem espaço de poder, menos nós temos presença de pessoas negras.”

O Reconversa é apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. As entrevistas agora vão ar toda terça-feira, ao meio-dia, no YouTube. O vídeo completo pode ser visto aqui.

Confira a seguir os destaques do episódio!

O que são as bancas de heteroidentificação

Fabya defendeu a importância e a legitimidade das bancas de heteroidentificação, sobretudo, porque foram criadas para prevenir fraudes e garantir que as políticas afirmativas beneficiem quem realmente necessita.

“As bancas de heteroidentificação são formadas por antropólogos, sociólogos e especialistas nas questões de letramento racial, e que tem uma condição de verificar se há uma correspondência real com a declaração da pessoa. Não é um achômetro. A banca foi criada para coibir o sistema de fraude e garantir que a política chegue para quem realmente precisa.”

Segurança Pública Humanizada: Menos Letalidade, Mais Proteção

Fabya defendeu a reformulação da Segurança Pública no Brasil, propondo um sistema com policiais bem preparados e cuidados, operações de baixa letalidade, e uma polícia que proteja a sociedade sem causar mortes.

“Penso que a Segurança Pública precisa ser repensada no país de modo geral. O que desejamos e já temos, inclusive, é o anúncio do Sistema Único de Segurança Pública e Defesa Social, uma política nacional cujas diretrizes e princípios argumentam que precisamos de policiais preparados, bem formados e assistidos também na sua saúde mental. Precisamos de operações de segurança de baixo poder ofensivo e letalidade. O que se deseja? Eu desejo uma polícia que faça segurança da sociedade e que não mate e que não morra.”



Leia também