Érika Hilton: Avanços e dificuldades de uma política mais inclusiva – IREE

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Érika Hilton: Avanços e dificuldades de uma política mais inclusiva

A Deputada Federal pelo PSOL-SP Erika Hilton foi uma das primeiras pessoas entrevistadas do Podcast Reconversa, em maio de 2023. Neste bate-papo, ela falou sobre por que a diversidade não é pauta de um nicho ou de uma minoria, mas uma das transversalidades da política.

Relembre essa interessante conversa que marcou o programa apresentado pelo jornalista Reinaldo Azevedo e pelo Presidente do IREE, Walfrido Warde. Os melhores momentos do vídeo podem ser vistos aqui.

Primeira Deputada Federal negra e trans eleita na história do Brasil, Érika Hilton foi vereadora da cidade de São Paulo, tendo sido a mais votada das eleições municipais de 2020. Na cidade, foi autora da Lei que criou o Fundo Municipal de Combate à fome e presidiu a primeira CPI que investigou origens e causas das violências contra pessoas trans e travestis. É presidenta da Frente Parlamentar Mista por Cidadania e Direitos LGBTI+ do Congresso Nacional e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial.

Erika foi nomeada 2 vezes pela Revista TIME como uma das 100 lideranças da nova geração, em 2021 e em 2023, entrou para a lista das 100 pessoas afrodescendentes mais influentes do mundo, e uma das cinco ativistas globais premiadas pela luta na defesa da comunidade LGBTQIA+ pelo MTV European Music Awards.

A resistência à expressão de gênero 

Segundo Érika Hilton, a resistência à expressão de gênero é coletiva e seu resultado é a violência, que marginaliza e desumaniza as diferentes identidades. Por isso, a deputada defende a necessidade de políticas específicas para combater a LGBTfobia no Brasil.

“Tudo isso nos impõe uma abjeção humana, um lugar de não direito à dor, à solidariedade, à empatia, e aqui a gente pode citar inúmeros casos porque o Brasil continua sendo consecutivamente o primeiro país do mundo que ainda mata essa população diante de um olhar da sociedade que continua insistindo que nós não precisamos, por exemplo, de políticas específicas de criminalização da lgbtfobia.”

É preciso avançar com cautela

Para a deputada, a liberdade e as expressões sexuais emergem com o avanço da sociedade, o que possibilita que identidades reprimidas se nomeiem, e a sociedade ainda está em processo de compreender essas identidades. Da mesma forma, em relação ao uso da linguagem neutra, que serve para  provocar reflexão e questionamento.

“A sociedade avança e os sujeitos e as identidades que estavam aprisionados começam a se nomear. Nós precisamos avançar com cautela. Querer que a sociedade acompanhe esse desenvolvimento ao mesmo tempo é imaturidade porque não dá para impor à sociedade da noite pro dia. A sociedade ainda está tentando compreender o que é gay, o que é lésbica, o que é transexual, o que é travesti, porque são identidades que já estão aí.”

A identidade não pode ser vista como munição à extrema direita

Érika Hilton defendeu a legitimidade da expressão das diferentes identidades de gênero como forma de reconhecimento independentemente das reações adversas.

“Qualquer coisa dá munição à extrema direita e não é porque ela vai se munir com isso que os sujeitos vão deixar de existir, porque nós não estamos falando de sexualidade quando estamos falando da amplitude, estamos falando de identidade, como por exemplo, as identidades não binárias que são pessoas que não se reconhecem nem dentro de um espectro, nem dentro de outro. Essas pessoas não podem deixar de dizer que elas se reconhecem dessa forma porque a extrema direita vai transformar isso num grande palanque.”



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