22 de dezembro de 2025
O ano de 2026 começa com a perspectiva de crescimento econômico baixo no Brasil, em um contexto de juros elevados, inflação sob controle e nível de emprego e renda que segue resiliente. O Banco Central prevê uma alta de 1,6% do PIB em 2026, o menor ritmo em seis anos. No cenário internacional, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta para a continuidade de tensões comerciais, riscos às cadeias de suprimentos e sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho.
Em 2025, a economia brasileira deve crescer 2,3%, impulsionada pelo bom desempenho da agropecuária, pela expansão dos serviços e pelo consumo das famílias, que permaneceu aquecido, apoiado pelo nível de emprego e renda. A taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em outubro, a menor desde 2012. Ainda assim, o ritmo de crescimento dá sinais de desaceleração, limitado pelos juros elevados — com a taxa Selic em 15% — e por um cenário internacional incerto. A inflação deve fechar o ano em 4,4%, abaixo do teto da meta.
Para 2026, as projeções do Relatório Focus indicam mais desaceleração. Para o mercado, a expectativa é de crescimento de 1,8% do PIB, inflação de 4,1% e taxa Selic em 12,13%. Entre os fatores que tendem a limitar o ritmo da atividade econômica estão a manutenção de política monetária restritiva, o baixo nível de ociosidade dos fatores de produção, menor impulso agropecuário do que o observado em 2025 e menos força da indústria.
Esse quadro doméstico se insere em um contexto de perda de fôlego da atividade global. Segundo a OCDE, a economia mundial tem demonstrado resiliência aos choques comerciais e deve crescer 3,2% em 2025, sustentada por políticas macroeconômicas favoráveis. Os efeitos das tarifas adotadas pelos Estados Unidos ainda não foram plenamente sentidos e devem contribuir para uma desaceleração do crescimento global para 2,9% em 2026.
Por Samantha Maia
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