15 de agosto de 2025
As tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações de empresas brasileiras têm sido destaque no noticiário econômico. Apesar do cenário conturbado e das incertezas, a economia do Brasil segue aquecida, com crescimento do emprego e da renda. A inflação, por sua vez, permanece acima da meta, mesmo com a taxa de juros elevada, em 15% ao ano.
Os dados da atividade econômica de junho mostram o setor de serviços aquecido, a indústria com leve recuperação e um possível impacto dos juros altos sobre as vendas do comércio. O crescimento de serviços de 0,3% no mês levou a atividade do setor ao maior nível da série histórica, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. O resultado foi impulsionado pelo segmento de transportes, que cresceu 1,5%, enquanto outros grupos tiveram retração, como serviços prestados às famílias (-1,4%) e informação e comunicação (-0,2%). O setor acumula alta de 2,5% no primeiro semestre e de 3% nos últimos 12 meses.
A indústria também teve resultado positivo no mês de junho, com leve alta de 0,1% da produção, depois de registrar duas quedas consecutivas, segundo a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. Entre os destaques positivos estão veículos, equipamentos de transporte, celulose, farmoquímicos e impressão, enquanto indústrias extrativas, alimentos e derivados de petróleo tiveram queda em junho. O setor cresceu 1,2% no primeiro semestre e acumula alta de 2,4% nos últimos 12 meses.
Os juros mais altos podem já estar refletindo no comércio, que teve recuo de 0,1% das vendas em junho, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE. Apesar do último resultado, o setor acumula alta de 1,8% no primeiro semestre e de 2,7% nos últimos 12 meses. Entre os segmentos que apresentaram queda estão escritório (-2,7%), papelaria (-1,5%), móveis (-1,2%), farmácias (-0,9%) e supermercados (-0,5%). Já os setores em alta incluem artigos pessoais (+1%), vestuário (+0,5%) e combustíveis (+0,3%).
O IPCA registrou alta de 0,26% em julho, abaixo da expectativa do mercado de 0,36%. No acumulado do ano, a inflação soma 3,26%, e em 12 meses, 5,23%, acima do teto da meta de 4,5%. O grupo Habitação foi o principal responsável pela alta no mês, com avanço de 0,91%, impulsionado pelo aumento de 3,04% na energia elétrica residencial. Já Alimentação e bebidas, o segmento de maior peso no índice, recuou 0,27%, segunda queda seguida.
Já o desemprego está no menor nível desde 2012, segundo a PNAD Contínua do IBGE. No segundo trimestre, a taxa de desocupação caiu para 5,8% e a população ocupada atingiu o número recorde de 102,3 milhões de pessoas. Outros recordes históricos incluem o número de trabalhadores com carteira assinada, que chegou a 39 milhões, e o rendimento médio, que alcançou R$ 3.477.
Por Samantha Maia
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