Economia brasileira: expectativas e resultados em 2024 – IREE

Análises e Editorial

Economia brasileira: expectativas e resultados em 2024

16 de dezembro de 2024

Por Samantha Maia e Juliana Pithon

A economia brasileira terminará 2024 com números muito diferentes dos projetados. A começar pelo Produto Interno Bruto (PIB), que deve crescer acima do esperado. Enquanto no começo do ano analistas previam uma alta do PIB de cerca de 1,7% para 2024, hoje a projeção do governo é de um crescimento de 3,3%.

O resultado do terceiro trimestre, de alta de 0,9%, confirma o movimento acima das expectativas. Foi a 15ª alta consecutiva na comparação com igual período do ano anterior. No acumulado do ano, o PIB brasileiro registrou crescimento de 3,3% em comparação ao mesmo período de 2023, segundo dados do IBGE. O desempenho foi impulsionado pelos setores de serviços (3,8%) e indústria (3,5%), enquanto a agropecuária apresentou retração de 3,5%, refletindo desafios específicos no setor, como impactos da mudança do clima.

A produção industrial, que acumula alta de 3,5% no ano, tem sido um dos motores do crescimento do PIB em 2024, com reflexo também nas exportações. A indústria de transformação, em especial, apresentou crescimento de 3,2% entre janeiro e setembro. As exportações brasileiras de alimentos industrializados bateram recorde este ano, com com US$ 30,7 bilhões em vendas para o exterior no primeiro semestre de 2024.

A perspectiva de queda do dólar foi frustrada pelo adiamento do início da queda dos juros dos Estados Unidos, e a moeda norte-americana já acumula uma valorização de 24,36% em 2024 frente ao real. Além da influência dos juros norte-americanos, também impacta esse cenário a perspectiva inflacionária com o novo mandato de Donald Trump, o déficit nas transações correntes do Brasil, com mais dólares saindo do que entrando, e a frustração do mercado com os cortes de gastos anunciados pelo governo.

O aquecimento da economia, a alta do dólar e fatores climáticos têm refletido nos preços. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulou alta de 4,77%, impulsionada principalmente pelo aumento nos preços de alimentos e tarifas de energia elétrica. No acumulado do ano, o IPCA está em 4,29%. A meta de inflação do governo é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Um dos destaques da inflação de novembro é o item alimentação e bebidas, que subiu 1,55% e representa 0,33 p.p. da inflação total. A menor oferta de animais para abate e o maior volume de exportações reduziram a oferta do produto no mercado nacional. O grupo de transportes também pressionou o IPCA no mês, com alta de 0,89%, puxada pelas passagens aéreas, que subiram 22,65%.

Com o cenário de maior crescimento do PIB e da inflação, o Banco Central encerrou em junho deste ano uma trajetória de queda da taxa básica de juros iniciada em agosto de 2023. A mudança frustrou mais uma expectativa, já que projeções do mercado apontavam para juros de até 9,5% ao final do ano.  

Na última reunião do ano, o Copom decidiu elevar a Selic de 11,25% ao ano para 12,25% ao ano, terceira alta seguida, o que consolidou um ciclo de contração monetária. O Copom atribuiu a elevação acima do previsto às incertezas externas e aos ruídos provocados pelo pacote fiscal do governo. O órgão ainda anunciou que deve aumentar a Selic em 1 ponto percentual nas próximas reuniões, em janeiro e março de 2025, caso não haja convergência da inflação à meta. 



Por Samantha Maia

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