É Carnaval! História, resistência e cidadania – IREE

Análises e Editorial

É Carnaval! História, resistência e cidadania

Por Juliana Pithon e Samantha Maia 

O Carnaval no Brasil tem suas raízes nos costumes trazidos pelos colonizadores portugueses entre os séculos XVI e XVII. A brincadeira começou com o “entrudo”, uma manifestação popular que consistia em jogar água ou outros líquidos uns nos outros.

Com o passar do tempo, o Carnaval adquiriu outras formas de acontecer, como os bailes de máscaras e as sociedades carnavalescas, mas foi a influência africana que deixou uma marca indelével na festa do país. O samba ganhou destaque e os cordões e ranchos tornaram-se escolas de samba, marcadas por uma explosão de criatividade.

Ao longo do tempo, o Carnaval tornou-se festa de rua e celebração verdadeiramente popular. Ele nasce como um reflexo da conexão entre a população e a cidade, do direito ao espaço público e da alegria compartilhada. Movimento político e cultural que promove a inclusão e a diversidade, o Carnaval é identidade e resistência.

Confira algumas reflexões sobre o Carnaval.

“O Carnaval não é alienado – nem quando é – aparentemente – alienado. A alegria é transgressora. E eu não tenho dúvidas de que, ao longo da nossa história, os canalhas e reacionários sempre preferiram enfrentar a sisudez dos compenetrados que a transgressora alegria dos afetos.” – Luiz Antonio Simas (Fonte: Rede pessoal)

“No Brasil, o Carnaval é um fenômeno vivo. A cultura negra, que era proibida, se desenvolve. Um trabalho de resistência que vai chegar no Carnaval, com os tambores, a dança, o canto, gerando algo genuinamente brasileiro.”- Fátima Costa de Lima (Fonte: “Como surgiu o carnaval”, Politize)

“O Carnaval de rua passou a reivindicar o seu espaço: pular Carnaval é um direito, o direito à folia existe, o direito à alegria, ao espaço público. Isso faz parte do nosso direito à cidade: viver a cidade também é viver a alegria da cidade.” – Guilherme Varella (Fonte: “O carnaval de rua de São Paulo é mais disruptivo”, Veja SP)

“O renascimento do Carnaval de rua que estamos vendo hoje parece expressar um novo desejo das pessoas em sua relação com a cidade.” – Raquel Rolnik (Fonte: “Carnavalizar as ruas de São Paulo”, Arch Daily)

“Esse movimento cultural também é político. Essa vivência traz, ensina, faz com que a gente construa relações, identidades políticas. O Carnaval é um fomento da cultura popular onde cabem todas as pessoas, com suas identidades, jeitos e corpos.” – ​Vanda Pinedo (Fonte: “Uma reflexão sobre a cultura do carnaval”, Politize)

‌”Se por um lado o Brasil tem essa relação tão precária com o espaço público, por outro lado é pleno de outros tipos de espaços como o Carnaval de rua, modelo mais próximo do lúdico e da afirmação da liberdade do corpo, numa manifestação que é de resistência, ao mesmo tempo de rebelião contra a ordem estabelecida e que traz à tona outros valores.” – Guilherme Wisnik (Fonte: “A tradição do espaço público no Brasil, a praia e o Carnaval”, Jornal da USP)



Por Juliana Pithon

Leia também