Diretas Já! – IREE

IREE - Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa

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Diretas Já!

Pronunciamento do presidente do IREE, Walfrido Jorge Warde Júnior:

O mar de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato fez prova de muitos fatos terríveis.

O pior entre todos eles, o mais nocivo, é o completo distanciamento entre o Parlamento e o povo. Esse distanciamento corrói os alicerces do sistema democrático. Tira do jogo político a vontade do povo, para substitui-la pela vontade de pessoas com muito dinheiro e sem qualquer escrúpulo.

A Lava-Jato confirmou o que há muito se desconfiava: a falta de um regramento adequado do lobby abriu espaço para a apropriação do processo de criação de leis no país. O Congresso se tornou um balcão de negócios, com políticos de olhos fechados para a vontade da maioria. Leis foram produzidas, ao que tudo indica, mediante pagamento.

Políticos usaram seus mandatos a serviço de interesses escusos e emporcalharam suas reputações. Lançaram a política, indispensável para a afirmação da vontade popular, na mais profunda crise de confiança de que se tem notícia neste país.
E é da falta de confiança na política e, portanto, na própria democracia, que se alimentam os regimes de exceção.

O povo corre o risco de perder o seu poder soberano ao se desinteressar pelo jogo político. Enojado, amedrontado, descrente, distancia-se da política, para que dela se apropriem aventureiros e, sobretudo, tiranos. Mas esse não é o caso do povo brasileiro!

Nunca nos interessamos tanto pelo Brasil, ainda que tenhamos nos dividido, nesses últimos tempos, sobre o que é melhor para nós e para o nosso país. A política é a pauta de todas as conversas, em todos os lugares. A política é foco de interesse e de preocupação de todas as brasileiras e brasileiros, independente de sexo, idade, religião e de ideologia. A preocupação e o interesse são consenso.

Também é consenso a perda de representatividade da classe política. Esses que traíram o povo e a pátria não nos representam.

Não poderia ser diferente! E se não nos representam, não deverão ser eles a encaminhar uma solução para a crise política.

Somente a imediata convocação de eleições diretas restabelecerá a representatividade e a confiança perdidas. E sem representatividade e confiança o país ficará à deriva.

Nada, senão a vontade política, ou melhor, a vontade de políticos de se entrincheirar no poder, justifica, em caso de renúncia, de cassação ou de impeachment do Presidente da República, a sua substituição por meio de eleições indiretas.

A Constituição Federal, que prevê essa solução, ou seja, a eleição de novo presidente pela maioria do Parlamento, não contava com uma crise de tamanha proporção, que atingisse, para além da presidência da república, grande parte do Congresso.

A classe política não deve afrontar obviedades! Não deve menosprezar, ainda mais, a vontade do povo. Não deve desafiar a sua soberania. Não jogar com os destinos da nação.

Como, em sã consciência, pode ser dado a investigados, acusados e denunciados eleger um novo Presidente?!

O IREE, por tudo isso, defende publicamente uma emenda da Constituição para a realização imediata de eleições diretas para Presidente da República.

É esse o dever solene dos parlamentares. É o que se espera e o que deles se exige.



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