Desemprego elevado impõe limites e desafios ao crescimento – IREE

Análises e Editorial

Desemprego elevado impõe limites e desafios ao crescimento

Juliane Furno
Economista-Chefe do IREE



Confira aqui a análise sobre Mercado de Trabalho, Desigualdade e Políticas Sociais produzida pelo Centro de Estudos de Economia do IREE, na edição semanal do Boletim de julho de 2021!

A lenta, embora contínua, recuperação dos setores econômicos – especialmente o setor externo, a indústria extrativa e os serviços de informação – não tem sido suficiente para alavancar o mercado de trabalho brasileiro. A taxa de desemprego segue elevada e em patamar de estabilidade, o que impõe limites e desafios à sustentabilidade do crescimento do médio e longo prazo.

Dois elementos, nesse cenário, merecem destaque. O primeiro deles é a queda contínua da massa salarial total. O trimestre encerrado em abril apresentou uma retração de 1,5% na massa salarial em relação ao trimestre móvel anterior. Segundo dados da Pnad Contínua, ainda que o rendimento real habitual tenha ficado estável na comparação trimestral – perfazendo o valor de R$ 2.532,00 – a massa de rendimento real habitual (R$ 212,3 bilhões) é 5,4% menor na comparação com o mesmo trimestre do ano de 2020, portanto, quando já havia graves efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho e a renda. Em termos absolutos isso significa uma contração de R$ 12,1 bilhões.

A queda da renda disponível é um empecilho ao crescimento pois agrava a crise de demanda, ensejando caminho para maior contração do nível, o que – por sua vez – impacta a renda disponível. A renda é função do consumo e o consumo é uma das principais variáveis que sustentam o cálculo do PIB.

O segundo elemento é o avanço da taxa composta de subutilização da força de trabalho. Por subutilização composta entenda-se a junção dos trabalhadores desalentados, os desempregados e os ocupados com insuficiência de horas, que trabalham menos de 40h semanais.

A taxa composta de subutilização terminou o trimestre encerrado em abril em 29,7%, isso representa um aumento de 0,7 pontos percentuais a frente do trimestre móvel imediatamente anterior e 4,1 pontos percentuais se a comparação for com o mesmo trimestre do ano anterior. Do ponto de vista do número absoluto, são 33,3 milhões de pessoas que compõem essa categoria, que teve um acrescimento de 827 mil frente ao trimestre móvel anterior e 4,6 milhões em comparação com o mesmo trimestre do ano de 2020.

Tal como a renda, o avanço e a relativa estabilização da taxa composta de subutilização em um nível bastante elevado impõem desafios ao crescimento brasileiro. Seu indicador é uma consequência da baixa performance da economia brasileira ao mesmo tempo em que é causa, uma vez que a manutenção desse contingente de forma subocupada ou não ocupada é um desperdício de capital humano que não está à disposição da produção de riqueza.

O Boletim de Política Econômica do IREE é produzido pela economista-chefe Juliane Furno e pelos assistentes de pesquisa Daniel Fogo e Lígia Toneto.

Veja também:

Boletim Mensal de Política Econômica – Junho de 2021

Boletim Mensal de Política Econômica – Maio de 2021

Boletim Mensal de Política Econômica – Abril de 2021

Boletim Mensal de Política Econômica – Março de 2021

Boletim Mensal de Política Econômica – Fevereiro de 2021

Boletim Mensal de Política Econômica – Janeiro de 2021

Boletim Mensal de Política Econômica – Dezembro de 2020

Boletim Mensal de Política Econômica – Novembro de 2020

Boletim Mensal de Política Econômica – Outubro de 2020



Por Juliane Furno