Desemprego cai com alta dos subocupados e queda da renda – IREE

Análises e Editorial

Desemprego cai com alta dos subocupados e queda da renda

Juliane Furno
Economista-Chefe do IREE



Confira aqui a análise sobre Mercado de Trabalho, Desigualdade e Políticas Sociais produzida pelo Centro de Estudos de Economia do IREE, na edição semanal do Boletim de outubro de 2021!

Redução do desemprego com alta na subocupação e queda da renda revela retomada frágil da economia

Os dados referentes à última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do mês de julho, trazem boas e temerárias notícias. Por um lado, o desemprego tem cedido, demonstrando os ventos mais otimistas no que tange à retomada à normalidade puxada pela generalização da vacinação e pela retomada do setor mais empregador de mão de obra, os serviços.

Por outro lado, as características dessa retomada apontam para um “novo normal” em que o mercado de trabalho desponta com uma faceta mais precarizada, no que tange à resiliência dos trabalhadores informais e até à ampliação, caso consideremos o avanço das modalidades de contratação por MEI (Microempreendedor Individual) e PJ (Pessoa Jurídica).

Desemprego cai com alta dos subocupados e queda da renda

Não somente pelas modalidades informais ou pouco protegidas, a estrutura laboral brasileira tem apontado para um aumento persistente da taxa composta de subutilização do trabalho, especialmente no quesito que faz menção à população caracterizada como subocupada por insuficiência de horas trabalhadas, que bateu recorde da série histórica. São 7,7 milhões de pessoas nessa ocupação, e isso perfaz um aumento de 7,2% com relação ao trimestre móvel imediatamente anterior. E números absolutos são 520 mil pessoas a mais nessa condição laboral.

Se a comparação tiver como referência o período pré-crise, no primeiro trimestre de 2020, o total de subocupados é 34% maior em julho de 2021, e o número absoluto assusta ainda mais, são 2 milhões a mais de pessoas nessa situação marcada pela possibilidade de auferir um rendimento mensal inferior a um salário mínimo, uma vez que as horas trabalhadas podem não ser suficientes para garantir nem essa remuneração considerada mínima.

O aumento do contingente de trabalhadores nessa situação é consequência do desemprego elevado e de uma retomada frágil, embora possa também representar o início de uma reação, ainda que lenta. Isso somente os dados futuros nos dirão com mais precisão.

O Economista-Chefe da Genial Investimento, José Marcio Camargo, sugere que o aumento dos subocupados aponta para uma reação do mercado de trabalho, que ficou paralisado durante a pandemia e o retorno será muito lento e difícil. Segundo ele, no curto prazo, o número de trabalhadores que podem ser classificados como subocupados deve continuar pressionado, mas tende a se reduzir quando houver uma reação mais forte da economia capaz de absorver esta mão de obra.

Ainda sobre o perfil desses trabalhadores, o que puxou para cima o número total de subocupados foi basicamente os trabalhadores por conta própria e os trabalhadores domésticos informais, sem registro em carteira trabalho. Somados, os dois grupos respondem por 70% dos 2 milhões a mais de pessoas na condição de subocupados.

Outra modalidade de trabalhadores que, em geral, estão inclusos na categoria de subocupados, ainda que o empregador recolha tributos, são os “intermitentes”, que foi uma das novidades trazidas pela reforma trabalhista e que ainda não havia apresentado estoque significativo no total da mão da obra.

Entre janeiro e julho de 2021, o total de trabalhadores registrados nesse tipo de vínculo trabalhista, que a depender da demanda pode ser considerado subocupado – se trabalhar menos de 40h semanais e tiver disposição de trabalhar mais – chegou a 41.180, o que é quase 50% a mais do que havia no mesmo período em 2020.

A solução para a redução mais célere do desemprego e a ampliação das horas trabalhadas, e consequentemente da renda dos trabalhadores, dependem – fundamentalmente – da retomada do crescimento econômico. Nesse sentido, as perspectivas não são muito alentadoras. As revisões para baixo do PIB de 2022 frustram aqueles que gostariam de uma retomada mais rápida. Segundo projeções de especialistas, o desemprego deverá ser menor em 2022 do que em 2021, no entanto, ainda na casa dos 2 dígitos.

Para a MCM consultoria, que reduziu a expectativa de crescimento da economia brasileira para 1,4% em 2021, a taxa média de desemprego só deverá retomar ao padrão pré-pandemia – que já era bastante elevada – no ano de 2023, e para um retorno a uma taxa de 10% de desemprego – com esse ritmo de crescimento econômico – deveremos aguardar até 2025.

O Boletim de Política Econômica do IREE é produzido pela economista-chefe Juliane Furno e pelos assistentes de pesquisa Daniel Fogo e Lígia Toneto.

Veja também:

Boletim Econômico Mensal – Setembro 2021



Por Juliane Furno