Davos: Inteligência Artificial, geopolítica e clima – IREE

Análises e Editorial

Davos: Inteligência Artificial, geopolítica e clima

22 de janeiro de 2024

Por Samantha Maia e Juliana Pithon

Entre os dias 15 e 19 de janeiro, aconteceu o 54º Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, com o tema “Reconstruindo a Confiança”. O evento foi marcado por um aumento do número de participantes, embora tenha ocorrido uma redução significativa na presença de chefes de Estado.

O presidente do Fórum, Borges Brand, destacou a importância da cooperação global em seu discurso de encerramento. Ele ressaltou que países e negócios não podem mais se isolar diante de choques mundiais e que a colaboração é essencial para aproveitar oportunidades

As expectativas em relação à economia global em 2024 não estão otimistas, conforme revelou uma pesquisa conduzida pelo próprio Fórum Econômico Mundial. Mais da metade dos economistas-chefes dos setores público e privado compartilham a visão de que a economia mundial vai se enfraquecer este ano.

Os riscos e desafios mapeados para a economia global durante o encontro incluem a rápida evolução da inteligência artificial, as guerras em Gaza e na Ucrânia, os atritos militares no Mar Vermelho, a possibilidade do retorno de Donald Trump à Casa Branca e a crescente recorrência de desastres climáticos.

Impactos da Inteligência Artificial

As discussões sobre os riscos e benefícios do uso da Inteligência Artificial foram destaques no encontro em Davos. Entre as principais preocupações estão a necessidade de regulamentação, o impacto sobre o mercado de trabalho, os riscos para os processos eleitorais e as incertezas quanto ao retorno de investimentos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que, apesar da Inteligência artificial ter sido muito discutida, ainda não existe uma estratégia global eficaz sobre uso dessas tecnologias. Em sua apresentação, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, defendeu que a IA deve servir ao bem comum e ser adequadamente governada devido aos riscos à segurança e ética.

Geopolítica e eleições

Um olhar atento foi direcionado às eleições que ocorrerão em diversos países neste ano. Metade da população mundial irá às urnas, com destaque para Estados Unidos, Taiwan, Índia, México e Rússia.

O Fórum de Davos abordou a preocupação sobre como esses eventos podem remodelar alianças internacionais e influenciar políticas econômicas em escala global. A possibilidade de o ex-presidente Donald Trump retornar à Casa Branca no próximo ano é vista como um fator que pode aumentar as barreiras ao multilateralismo.

Representação brasileira

Sem a participação do Presidente Lula da Silva e do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o Brasil foi representado pela Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a comitiva formada pelos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Nísia Trindade (Saúde), o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, e o presidente do STF, Luís Roberto Barroso.

O foco da delegação brasileira recaiu sobre o investimento em energia renovável e a colaboração entre setor privado e governos na abordagem das questões climáticas. Marina Silva anunciou que, durante a presidência do Brasil no G20, o país buscará precificar e implementar um sistema de pagamento pelos serviços ecossistêmicos, delineando compromissos na vanguarda das questões ambientais globais.



Por Samantha Maia

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