Crise climática: Futuro da Amazônia e Ondas de calor – IREE

Análises e Editorial

Crise climática: Futuro da Amazônia e Ondas de calor

Por Samantha Maia e Juliana Pithon

Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste do Brasil enfrentam no final do verão de 2024 um fenômeno chamado domo de calor, que retém o ar quente na superfície, elevando as temperaturas a níveis extremos, possivelmente até 45°C. O calor causa transtornos para a população e evidencia ainda mais o contexto de crise climática no mundo.

Especialistas alertam para a tendência de episódios como este e ondas de calor se tornarem mais frequentes por conta das mudanças climáticas. Estudos também apontam para o agravamento das consequências do aquecimento global, com riscos de descumprimento de metas e danos irreversíveis.

Projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) apontam que há pelo menos 50% de chances das temperaturas globais aumentarem acima da meta do Acordo de Paris na próxima década. Em 2015, países se comprometeram com a meta de limitar o aumento das temperaturas globais a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais.

No entanto, segundo medições do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, com a influência do El Niño, a temperatura média global superou os níveis pré-industriais em 1,56°C entre fevereiro de 2023 e janeiro de 2024. E por quatro dias seguidos em fevereiro, a temperatura global excedeu 2°C acima da média histórica, a maior sequência do tipo já registrada.

Ponto de não retorno 

Em meio a compromissos globais para reduzir emissão de gases de efeito estufa para enfrentar a crise climática, um estudo publicado em fevereiro deste ano na revista científica Nature afirma que a Amazônia pode alcançar o ponto de não retorno até 2050. O estudo é pioneiro ao analisar em conjunto diferentes fatores que estressam a região, como o desmatamento, o aquecimento global e incêndios. 

O ponto de não retorno é um conceito usado em estudos sobre diversos biomas para indicar o limite a partir do qual pode haver o início do colapso do ecossistema por conta de mudanças climáticas. Para evitar esse cenário, os pesquisadores listaram ações como frear o desmatamento e a degradação florestal, expandir iniciativas de restauração florestal e reduzir globalmente as emissões de gases de efeito estufa.

Em julho de 2023, quando já se apontava um dos períodos mais quentes da história, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que apenas uma “ação climática dramática e imediata” pode impedir que o aquecimento global ultrapasse o limite definido no Acordo de Paris.

É urgente que as medidas para proteger as florestas e reduzir as emissões de carbono não fiquem apenas nas mesas de debates de especialistas e gestores de meio ambiente. Apesar do combate às mudanças climáticas ter ganhado grande relevância no capitalismo global, a falta de ações na mesma proporção ameaça a obtenção de resultados.



Por Samantha Maia

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