10 de junho de 2026
Por Samantha Maia e Gabriela Farias
A Copa do Mundo de 2026 carrega marcos históricos. Pela primeira vez, o torneio será sediado por três países — Estados Unidos, Canadá e México — e contará com 48 seleções, o maior número de participantes da história da competição. Também será a primeira vez na história do torneio que um país-sede, os Estados Unidos, está envolvido em guerra com outro país participante, o Irã.
Uma Copa mais diversa
A expansão do torneio abriu espaço para novas seleções. Uzbequistão, Jordânia, Curaçao e Cabo Verde disputarão uma Copa do Mundo pela primeira vez. Além disso, esta será a edição com o maior número de países árabes da história, reunindo Egito, Iraque, Arábia Saudita, Jordânia, Marrocos, Argélia, Tunísia e Catar.
A divisão da Copa em três países foi apresentada como um símbolo da integração norte-americana. O lema da candidatura vencedora, “United 2026”, representava o reforço dos laços entre países por meio do esporte.
A Copa que defende celebrar a conexão global de diferentes culturas acontece, porém, em um contexto de endurecimento das políticas migratórias dos Estados Unidos, país que receberá cerca de 75% dos jogos do torneio, incluindo a final na região de Nova York.
Consequências da política migratória dos EUA
Alguns países classificados para a Copa enfrentam restrições de entrada impostas pelo governo americano. Irã e Haiti estão sujeitos a proibições amplas de viagem, enquanto Senegal, Costa do Marfim e Somália enfrentam limitações para determinados tipos de visto. A Casa Branca afirma que as medidas são necessárias por razões de segurança nacional.
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu com o árbitro somali Omar Artan, que seria o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma Copa do Mundo. Mas no dia 8 de junho, ele foi deportado logo após desembarcar em Miami, sem que as autoridades americanas informassem o motivo. Segundo autoridades somalis, Artan possuía visto válido para ingressar nos Estados Unidos.
A seleção do Iraque também enfrentou dificuldades na chegada aos Estados Unidos. Um fotógrafo que acompanhava a equipe teve a entrada negada no país e o atacante iraquiano Aymen Hussein ficou retido por sete horas em uma inspeção migratória.
Já a seleção iraniana, em meio ao conflito envolvendo os Estados Unidos, enfrentou obstáculos para obter vistos de entrada, teve integrantes da comissão técnica barrados e foi obrigada a transferir sua base de treinamentos do Arizona para o México. Além disso, os jogadores do Irã só poderão entrar em território americano na véspera das partidas e deverão deixar o país logo após os jogos.
Operações do ICE serão mantidas na Copa
Durante a Copa, os Estados Unidos manterão as operações do Immigration and Customs Enforcement (ICE), agência responsável pela fiscalização migratória e por deportações de imigrantes. Nos últimos meses, a atuação do órgão tem sido alvo de críticas de organizações de direitos humanos, especialmente por operações direcionadas a comunidades imigrantes e por denúncias relacionadas à garantia de direitos durante processos de deportação.
Em Los Angeles, funcionários do SoFi Stadium ameaçaram entrar em greve caso ocorram operações migratórias no local durante os jogos. O receio é que trabalhadores estrangeiros ou descendentes de imigrantes sejam alvo das fiscalizações.
Diante desse cenário, entidades como Human Rights Watch, Sport and Rights Alliance e Dignity 2026 pediram uma suspensão temporária das operações do ICE durante a Copa do Mundo, inspirada na ideia de uma “trégua olímpica”. O governo americano, porém, rejeitou a proposta e confirmou que os agentes continuarão atuando durante o torneio.
Por IREE
Leia também
O Latim, a Expressão Antiga e o Patrocínio
Continue lendo...
A psicanálise é política
Continue lendo...
Amelinha Teles: via crucis
Continue lendo...