17 de março de 2025
Por Samantha Maia e Juliana Pithon
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que vai acontecer em Belém (PA), em novembro deste ano, é uma importante oportunidade para o Brasil liderar as discussões globais sobre meio ambiente, mas ocorre num momento de grandes desafios, como os recentes eventos extremos que atingiram o país, os retrocessos do governo Trump na política ambiental e as necessidades de grandes investimentos na capital paraense.
O ano de 2024 foi especialmente desafiador para o Brasil, com as inundações históricas no Rio Grande do Sul, incêndios recordes no Pantanal e Amazônia e seca extrema no Norte. As tragédias evidenciaram o despreparo do poder público e da sociedade para lidar com os eventos extremos e a urgência de ações concretas, sejam emergenciais ou de planejamento, para enfrentar a crise ambiental.
Já no plano internacional, uma das grandes incertezas é sobre o impacto da política de Trump para o evento. A presidência da COP-30 já manifestou esperar uma retirada das metas e compromissos dos Estados Unidos pelo governo dos EUA, e o grau de participação dos americanos é motivo de preocupação das delegações. Na quarta-feira, 12 de março, o presidente estadunidense anunciou várias reversões regulatórias no país que enfraquecem importantes proteções ambientais nos setores de energia e de transporte e que fortalecem a produção de petróleo e minerais.
Infraestrutura insuficiente em Belém
A capital do Pará tem o desafio de superar o déficit de acomodações, além de realizar melhorias de transporte e logística, para receber os cerca de 50 mil visitantes esperados para a COP30. Será necessário dobrar a capacidade hoteleira na cidade, de 18 mil leitos, e por enquanto os interessados em participar da conferência têm encontrado preços de até 2 milhões de reais para os dez dias.
Entre as iniciativas para aumentar a oferta de acomodações, estão:
- uso de navios de cruzeiro como hotéis flutuantes, com cerca de 5.000 leitos adicionais
- reforma de 17 escolas para hospedagem no padrão de hostel, com aproximadamente 2.500 leitos
- construção da Vila COP 30, para os chefes de Estado e delegações
Além disso, duas redes internacionais estão construindo hotéis de luxo na cidade: a Vila Galé, em uma antiga área portuária, e a Tivoli, que reformará um edifício histórico. Também está em licitação a construção do hotel modular Vila COP, com 500 quartos, financiado pela Itaipu.
Na parte de transporte e mobilidade, mais de 20 obras estruturantes estão em andamento, entre elas benfeitorias no aeroporto para ampliar a capacidade de voos, investimentos de R$ 25,8 milhões para suportar aeronaves de grande porte na Base Aérea e a revitalização da Nova Doca, orçada em R$ 310 milhões, para transformar a Avenida Visconde de Souza Franco em um espaço urbano com lazer, infraestrutura sustentável e melhorias viárias.
Principais objetivos da COP30
A COP30 tem o grande desafio de trazer respostas à crise climática dentro de um cenário de emergência ambiental. O planeta enfrenta recordes de calor e eventos climáticos extremos, e o ano de 2024 foi o mais quente da história, ultrapassando o limite de 1,5ºC do Acordo de Paris. A situação exige que os países, além de se comprometerem com a redução da emissão de gases de efeito estufa, também invistam na adaptação às novas condições climáticas.
Outra tarefa importante para a conferência sediada na Amazônia brasileira é conseguir avançar na estruturação de políticas públicas para redução de emissões e transição energética. O sistema energético global é responsável por mais de 80% das emissões de gases de efeito estufa e precisa caminhar para uma matriz energética limpa, enfrentando suas diversas contradições.
Para isso, será preciso enfrentar talvez o maior desafio encontrado hoje, que é o de definir mecanismos concretos de financiamento climático. A COP29, em Baku, apresentou uma resolução insuficiente para o financiamento da transição energética e adaptação nos países em desenvolvimento, de US$ 300 bilhões anuais. A COP30 terá que debater novamente essa questão, com o objetivo de aumentar o montante e garantir que os recursos sejam efetivamente repassados e investidos.
Por Samantha Maia
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