A importância da Agenda Verde e da renovação industrial – IREE

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A importância da Agenda Verde e da renovação industrial

2 de julho de 2025

Tainá de Paula

Tainá de Paula
Secretária Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro



Em novembro deste ano, o Brasil será sede da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém (PA). Com o protagonismo brasileiro durante a Conferência, surgem também alguns temas extremamente nacionais, mas que impactam mundialmente milhares de vidas todos os dias. 

Um deles é a questão da produção de carbono pela indústria da construção civil, e não quero aqui colocar o segmento como vilão, até porque sei da importância social e econômica para o Brasil, mas quero mostrar que temos alternativas viáveis e sustentáveis para que a indústria seja, cada dia mais, aliada do meio ambiente, a chamada Indústria Verde, que faz parte de um movimento de renovação industrial. 

A indústria do cimento, em geral, também é uma que impacta diretamente o clima. Sozinha, ela é responsável por um quarto das emissões industriais de dióxido de carbono no Brasil e se tornou um desafio ambiental urgente. A redução da emissão de carbono do setor passa, necessariamente, pela substituição do clínquer – composto intermediário altamente poluente – por alternativas mais sustentáveis, como o fíler calcário, a argila calcinada e as biocinzas.

A chamada Agenda Verde é uma necessidade para a mitigação dos efeitos da produção no clima e um dos exemplos é a empresa Braskem, que explora o sal-gema, utilizado para a produção de tubos de PVC, também amplamente usado na indústria da construção civil, em canos e conduítes, além de outros artefatos no processo de construção.

Essa atividade da Braskem é uma exploração a longo prazo, iniciada na década de 1970, gerando um fenômeno conhecido como exilados ambientais, e criou um verdadeiro deserto em cinco bairros da capital, Maceió, totalizando mais de 60 mil pessoas impactadas, levando ao risco de colapso ambiental.

É uma situação, no mínimo, estranha, quando se tem a produção de um item primordial para a construção civil e se torna responsável por um vazio urbano que engloba um espaço territorial abandonado e condenado pela Defesa Civil municipal e estadual. Pensar a indústria é pensar em outras formas de produção para que casos como esses não se repitam em territórios distintos. 

O relatório Descarbonização e Política Industrial: Desafios para o Brasil (DIP-BR), conduzido pelos pesquisadores Julia Torracca, professora do Instituto de Economia da UFRJ, e Lucas Rosse Caldas, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, e divulgado pela Agência Bori UFRJ, mostra que a adoção de matérias-primas de menor impacto ambiental pode reduzir em até 11% as emissões do setor, além de estimular a circularidade e a modernização da cadeia produtiva.

Aqui no Rio, temos exemplos práticos que dão à cidade o protagonismo nacional e durante a COP30 pode se tornar mundial quando se fala em iniciativas para mitigar a adaptação climática. A usina fotovoltaica em Santa Cruz é um desses exemplos, que fornece energia limpa e renovável para imóveis públicos, como secretarias, Unidades Básicas de Saúde e escolas. 

O Sul Global apresenta iniciativas sustentáveis como a chamada transição energética, com o abandono dos combustíveis fósseis, amenizando os impactos negativos sobre os mais vulneráveis, principalmente. O Brasil se destaca com a apresentação do Plano Ecológico, que inclui o mercado regulado de carbono, a criação de núcleos de inovação tecnológica e a ampliação de áreas de concessões florestais.

A arquitetura verde ou sustentável também está presente nas novas construções na Cidade Maravilhosa. São projetos que minimizam os impactos ambientais com a utilização de materiais sustentáveis em sua estruturação e um dos nossos grandes exemplos é o Museu do Amanhã, com seu design flutuante e uso de energia solar como fonte de alimentação. 

Aqui no Rio temos a Comunidade do Aço, em Santa Cruz, Zona Oeste da Cidade, que recebeu a Certificação Ambiental Banco Mundial, com uma estrutura moderna, sustentável e planejada. O local possui um reservatório de 3,3 milhões de litros de água potável; mais de 9 km de redes de abastecimento de água; elevatória de esgotos e 6 km de redes de coleta; 8 km de redes de drenagem pluvial; 2 km de ciclovias; 37.000 m² de calçadas; e plantio de 16.000 mudas de árvores.

Toda essa estrutura transformou a qualidade de vida da população, com modelo inovador de reurbanização sustentável, servindo de exemplo para futuros projetos habitacionais no Brasil. Ou seja, somos vanguardistas quando o assunto é sustentabilidade e mitigação dos efeitos da crise climática. Criar uma Agenda Verde e renovar as atividades industriais é uma necessidade social e ambiental, que vamos levar para a COP30. 

Até lá!



Os artigos de autoria dos colunistas não representam necessariamente a opinião do IREE.

Tainá de Paula

É arquiteta, urbanista e ativista das lutas urbanas. É especialista em Patrimônio Cultural pela Fundação Oswaldo Cruz e Mestre em Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente é vereadora licenciada e Secretária Municipal de Meio Ambiente e Clima da Cidade do Rio de Janeiro.

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